Reserva Dunar



Abundante fruto da estação, em cachos maduros
negros, rebeldes, sobre um rosto macio-dúbio
pontuado pelo evento dos seus lábios: carnívoro
carnudo cacto tropical, metade água metade deserto
Mãos invisíveis como se fosse só boca.

Hoje o som da terra estremeceu os condimentos
Todas as formas apontavam à ternura, ao centro
Um corpo rolava sobre o chão castanho claro nítido
Olhei devagar como os camaleões me ensinaram,
caudas enroladas e pendurados nos ramos altos,
aproveitando o esconderijo das folhagens densas,
da mutação cromática sobrando apenas o escarlate:
restos de beijos na fronha de alfazema,
a areia húmida e seu cheiro transparente
na dobra mal passada do lençol.

Ju
{gratas saudações a todos os Textu-(Ais)}

6 comentários:

Texto-Al disse...

lindo poema, Joana;)

vens dar um belo toque à nossa poesia original.

Tiago

vida de vidro disse...

Belíssimo. Saio rendida. **

Teresa Queiroz disse...

muito bonito! :)

E.Rakowski disse...

Que belo...
parabéns!

Vinícius Paes disse...

realmente belo.

Mariana Dore disse...

Gosteiii!

;D