Correio de guerra


Com o fumo adocicado, travo a uma dor velha
todos os peões ao centro do tabuleiro.
Cada um carrega nos ombros o pesado ego:
deixai-o cair no chão de pedra como lastro...
--
e soltando a mão dos duros ossos
moldar em argila um ventre suave
lugar seguro, nunca mais.
--
talvez se desatem todos os nós duma só vez
e o laço da forca se torne uma suave carícia
cicatriz no caminho de terra, visto de longe.
--
ou então acordas e ainda chovem lágrimas
o vento do norte transporta a tempestade.
--
Ju

5 comentários:

Eliana Mora (El) disse...

'Travas' minha respiração, isso sim!
Mas que beleza de poema!

abraços com emoção
da poeta


El

Texto-Al disse...

"talvez se desatem todos os nós duma só vez
e o laço da forca se torne uma suave carícia
cicatriz no caminho de terra, visto de longe."


adorei isto:)

Tiago

Renato de Melo Medeiros disse...

Vagando por esses mares, um ciclo devagar... percebendo as coisas.
Venho sempre aqui e fico pensando: --- Onde passeiam esses poetas?

Texto-Al disse...

os poetas passeiam pelo algarve:)

T.

Ju disse...

passeamos no algarve...e em todo este rectângulo adormecido ao atlantico...o territorio dos poetas é o mundo e todos os seus caminhos e encruzilhadas...obrigada pelos posts,pelo carinho :)))