puzzle de sílabas


fazia sempre isso. dentro de cada palavra deixava imperceptível uma sílaba; às vezes, trocava na mesma frase sílabas de palavras diferentes, e ainda dentro da mesma palavra trocava-lhes a ordem; para saber que me amava tinha de ir para casa montar o puzzle, o que nem sempre conseguia.


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mundo universitário









nova edição do jornal mundo universitário em pdf aqui.

obrigado Eduardo por me avisares que haviam publicado um texto meu.


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VELOVELOVELO

depois de andar por aqui escrevi qualquer coisa assim:


há mulheres que se amam bem; outras nem por isso

A palavra final, de Elemér Horváth


à leonor almeida, como não poderia deixar de ser





















clique na imagem para ver em tamanho real


[tn]


Acordo Ortográfico ao rubro!


in ciberduvidas


1. O Parlamento aprovou neste dia, com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e sete deputados do CDS, o Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico.

O ministro da Cultura português reiterou o período máximo de 6 anos de transição completa para a nova ortografia.

Entretanto, continuamos aqui a reportar diferentes tomadas de posição face ao que o Acordo propõe:

João Andrade Peres alerta para insustentabilidade de um acordo que legitima grafias facultativas; Rui Tavares responde a Vasco Graça Moura, relevando uma certa crispação desnecessária relativamente às alterações ortográficas em causa.

2. Decorrerá, nos próximos dias 28 e 29 de Maio, na Universidade Lusófona (Lisboa), o II Congresso Internacional da África Lusófona.

O que é escrever?

I

“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele olhou-a intensamente até que ela se viu reflectida no seu olhar.

II

“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele agarrou numa caneta e escreveu a pergunta na palma da mão esquerda.

III

“O que é escrever?”, perguntou-lhe ela, e ele respondeu que era isso mesmo, e não disse mais nada.



Luís Ene

[quem é que me chamou?]

Dia 20 pelas 21:30 na sala da Biblioteca do Clube Farense

O SOM DAS PALAVRAS
apresenta
Ene Coisas
[leitura de textos com som ao vivo]
voz: Luís Ene
som: Carlos Norton e Zé Matos

Sabemos que as palavras


Sabemos que as palavras

nos protegem do mundo.

Mas quem nos protege

das palavras?


José Mário Silva,
Nuvens & Labirintos

(Gótica)

Segunda-feira

questão prévia: alguém sabe do luís ene, autor deste brilhante conto?




















a segunda-feira vê-se ao espelho do domingo.
ninguém trabalha hoje
até porque o domingo se vê ao espelho do sábado
e o sábado vê-se ao espelho da sexta-feira
ao fim da tarde.

na mesa carradas de papéis por analisar, processos
cujo valor é incalculável, arguidos que vão pagar indemnizações cíveis brutais, sim, porque este é o Portugal do futuro...ou qualquer merda parecida.

até que o patrão, de bigode português, chega, bate com a mão no peito da mesa e diz "porra, pá! por vezes há que fazer sacrifícios, nem que trabalhemos ao fim-de-semana!"


[tn]

Do diário de um super-herói


Foi o meu primeiro erro e, por fim, o único que cometi em toda a minha vida. Depois de resgatar daquele edifício em chamas aquela mulher, escapou-me das mãos e caiu sobre a multidão. Talvez esta afirmação defraude muitos dos meus seguidores, mas ainda que não tenha provocado a tragédia nem gozado com a dor alheia, no meio daquele erro, pela primeira e última vez, senti-me o homem perfeito que todos acreditavam que era.


Rafael Camarasa

in El Sítio Justo

(tradução Tiago Nené)


Bono recita Charles Bukowski



Já agora envio daqui um grande abraço ao Manuel A. Domingos, o grande tradutor de Charles Bukowski na blogosfera.


[tn]

Moleskine


















Para quem é fã da Moleskine - como eu sou - é agradável encontrar um blogue em grande parte dedicado a ela.

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Minguante



belo, muito belo o novo número da Minguante subordinado à temática dos vícios.... já temos leitura obrigatória para este fim-de-semana....yuppie!


[tn]

Poema

A Primavera
é um jardim
de lápis de cor

É divertido
para brincar
como se fosse
a noite ao luar

Há uma janela
aberta para o azul
no céu a brilhar

Maria C. (10 anos)
Teresa C. (7 anos)

Cromos



Cromos, poemário de Rafael Camarasa, para ouvir

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Sem Palavras

Em África, Moisés faz refém um nazi, veste a sua camisola e prepara para o seu amo uma maçã assada




respondendo a
este desafio,
















o nazi agira macio, Meu Lixa,
despede a lei que haja
no alvitre, meu Lixa

porque o miúdo calou os doentes, Meu Lixa.
(sim, aí no alvitre, Meu Lixa)

gemei! gemei o rabi-unhão da juris
maldita, Meu lixa
maldita é, Meu Lixa

(atiço o fogo, que flama, meu Lixa!)

e eu roubei a camisola do nazi, Meu Lixa
camisola vermelha, Meu Lixa

a casa fica na terra de Aja de Tíbia, Meu Lixa
pela noite terei essa vossa maçã
assada, Meu Lixa

para que um dia o Meu Lixa me saúde quando
me vir:

"nossa.....bem-haja, Moisés!"



OS MEUS DIAS

[AS MINHAS LEITURAS]

Ler é algo que levo muito a sério. Leio todos os dias sem falta, pela manhã, que é quando sinto a mente mais aberta à alegria da leitura.

Levanto-me muito cedo e, depois de executar a minha higiene pessoal e tomar a primeira refeição do dia, leio até a fome me voltar, lá para o meio da manhã, altura em que interrompo a leitura, apenas o tempo suficiente para comer uma peça de fruta, e retomo-a depois sem mais pausas até à hora do almoço. São mais de quatro horas de leitura por dia, o que me parece perfeitamente adequado ao meu estado e à minha condição actuais.

Continuo a trazer livros para casa e a enchê-la com eles, como sempre fiz, mas os livros que leio são os mesmos há anos. Não conheço maior felicidade do que reler aqueles poucos livros que me agradam sempre mais a cada leitura.

[OS MEUS ALMOÇOS]

O almoço é sem dúvida a refeição a que dou mais importância, a única refeição do dia em que preparo realmente alguma coisa para comer e também a única em que me sento à mesa para comer.

No entanto, tal como as outras refeições, o meu almoço depende sempre do que tenha em casa, o que, por estes dias que correm, depende por sua vez do que tenha recolhido durante os meus passeios dos dias anteriores.

Hoje, por exemplo, é um bom dia, tenho um pacote inteiro de arroz carolino que me ofereceram ontem e um ramo de coentros que apanhei numa pequena horta no limite norte da cidade. Tenho também uma garrafa pequena de azeite meio cheia que trouxe comigo da última vez que me sentei num restaurante.

Nestas circunstâncias, o meu almoço adivinha-se pouco exuberante, mas há muito que aprendi que o apetite é o melhor dos temperos.

[AS MINHAS CONVERSAS]

Nos meus passeios gosto muito de conversar com os cães, os gatos e as pedras, ainda que com cada um deles por razões diferentes.

Os cães abrem muito a boca, abanam vigorosamente a cauda e às vezes até ladram, mas nunca me ignoram ou me olham com indiferença.

Os gatos deixam-me falar, silenciosos, atentos, como que dizendo-me que aqueles que escutam não são menos importantes do que aqueles que falam.

De todos, os melhores ouvintes são as pedras, ainda que as maiores escutem melhor que as mais pequenas e as mais redondas melhor que as pontiagudas.

Já com as flores raramente converso, aprecio muito a sua beleza mas não lhes suporto a tagarelice: têm sempre alguma coisa pouco importante para dizer e estão sempre dispostas a dizê-lo.

Escusado será dizer que nos meus passeios nunca converso com pessoas. Elas olham-me, cada vez mais, com um misto de indiferença e desconfiança.

[OS MEUS PASSEIOS]

Uma única preocupação rege os passeios que dou todas as tardes, a de que não tenham qualquer objectivo. Não quero com eles chegar a algum lado ou obter algum proveito. A única função que realizam é de ordem estritamente espiritual e tudo faço para garantir que assim continue.

Por esse motivo é que são todos diferentes no seu traçado, o mais possível, apesar de, por segurança e comodidade, serem em parte iguais a si próprios, pelo menos pela metade, uma vez que regresso sempre pelo mesmo caminho que me levou onde o acaso, apesar de controlado, me conduziu.

Verdade seja dita que sempre tive uma boa memória visual e um razoável grau de concentração, o que explica que nunca me tenha perdido e tenha sempre conseguido regressar sobre os meus passos.

Mas se no início o fazia com alguma dificuldade, hoje em dia passeio sem esforço e com autêntica felicidade.

[AS MINHAS NOITES]

As minhas noites são todas iguais: fico sempre em casa mas quase não durmo. É um problema que tenho há muitos anos, e para o qual não consegui arranjar outra solução a não ser aceitá-lo, e aproveitar as poucas horas que consigo dormir.

Como nunca sei quando o sono vai chegar, deixo-me ficar à espera dele quanto tempo for necessário, deitado na cama, imóvel, de barriga para o ar e com os olhos bem fechados.

Aprendi desta forma a identificar todos os ruídos que se produzem no meu bairro desde que o dia desaparece até que volta, pois a insónia abriu-me os sentidos e a memória das noites é-me muito mais viva que a dos dias.

Só não sei a que horas os ruídos se produzem, pois mantenho sempre os olhos fechados, mas conheço toda a sequência em que se produzem, como se fosse o próprio bater do meu coração.

Da palavra ao texto

O resultado do jogo pode não ter sido o mais brilhante, mas como em quase todos os jogos, aqui, também a sorte é uma questão fundamental e o tempo outro aliado. A partida foi interrompida a meio porque "São 11 horas, temos de fechar!" e assim os "resultados apurados" foram os que se seguem:

miúdo, atiço, tudo, calou, casa, tíbia, maçã, nazi, macio, doentes, meu, aja, nossa, essa, unhão*, despede, lei, juris, alvitre, gemei, lixa, flama, rabi, agira e haja.


Agora, e para que as palavras não morram aqui, desafiamos a todos os que aqui passam a escrever um texto - no estilo que vos aprouver - onde façam uso do maior número possível dos vocábulos acima transcritos.


*
de unha
s. m., Náut.,
acto de entrançar um cabo partido, ligando com fio novo as partes separadas;
nó com que se peiam os cabos partidos.
de Unhão, top.
s. m.,
variedade de maçã


HOJE

... não se esqueçam de aparecer no Club Farense, pois vamos fazer isto.

O mestre disse-o

Se lermos alguma coisa com dificuldade, o autor fracassou. Por isso considero que um escritor como Joyce fracassou no essencial, porque a sua obra exige um esforço.

Um livro não deve requerer um esforço, a felicidade não deve exigir esforço.

J. L. B em Borges, Oral

[luis ene]

A olhar a parede branca

Há cartas que nunca mais chegam,
as que não chegarão nunca.

O nosso destino suspenso
das notícias de longe.

Para alguém temos de ser
a luz e o lume,
o fogo e a água.


João Camilo

Volumen

A propósito do novo romance de Rui Costa, A resistência dos materiais, Henrique Fialho analisa as políticas editoriais em Portugal.

A ler aqui.

zapping

Manuel Marques, meu colega de editora e do Blogue das Artes, é um poeta fantástico. Ei-lo a recitar um dos seus:



[tn]

Profeta

Já havia quem dizia que eu era o "jovem poeta de Faro". Em Espanha diz-se agora que sou o jovem profeta de Faro.

[tn]

Pátio de Letras

Acabo de ler n' A Defesa de Faro sobre a abertura de um novo espaço cultural em Faro: Pátio de Letras.

E passo a citar:

"Não se trata de uma livraria com este * glamour, fica em zona central de Faro e, ainda que não exactamente na “baixa” de Faro, espero que venha preencher o vazio de espaços do tipo destes"(...)

E um pouco mais à frente:

"Uma livraria que, dispondo de um agradável pátio ao ar livre, com apoio de bar, mais do que um mero entreposto de venda de livros pretende ser um local de encontro com a cultura, quer pela escolha das obras à disposição do público, quer pelas actividades de informação, divulgação, tertúlia, animação, que pretendemos levar a cabo".


* Não precisamos ir tão longe para ver um teatro transformado em livraria. Aqui mesmo ao lado, na andaluza Sevilha e em pleno centro existe a Beta, ainda que não tão exuberante não deixa de ser igualmente bela.

[mbv]

Brincar com as palavras




É isso mesmo que iremos fazer na próxima terça-feira, dia 6 de Maio. Quem quiser, junte-se a nós por volta das 21:30 no Clube Farense.
O desafio é o seguinte:

1º Consoante o número de participantes, formar 4 equipas com diversos elementos;

2º Jogar uma partida de Scrabble

3º Anotar as palavras que forem sendo formadas

4º O verdadeiro desafio: a partir das palavras no tabuleiro construir textos (poemas, micro-narrativas, contos, etc...até um romance para quem se atrever!)

Apareçam!
[mbv]

blogue-ditador


um blogue-ditador é um blogue que não permite comentários. o texto-al desafia os seus leitores a enviarem-nos, através desta caixa de comentários, os melhores blogues-ditador de portugal.

Sem palavras

O peixe de Rafael Camarasa

Recebi recentemente uma carta de amor de Rafael Camarasa, poeta espanhol de que me honra ter traduzido a sua mais recente obra O Sítio Justo.

Fiquei muito contente ao saber que entrou na blogosfera.

Aqui


[tiago nené]