Parabólica




olho o céu
azul
e percebo

o céu azul
só é azul
porque o olho

o céu azul
só é azul porque
o escrevo
azul

é esta a diferença
entre ver e
acreditar

Lentamente














De automóvel regresso pela costa,
dando uma grande volta.
Vale a pena alargar o céu,
a tibieza do ar.
Ocasionalmente levanto a mão
e peço aos carros
que me ultrapassem.
Alguns condutores buzinam,
repreendendo a minha lentidão.
Ignoram que os lentos não decidem
o seu ritmo,
e desconhecem que se pode
andar mais depressa.
E que ao colocar a mão para fora da janela,
eu decido o meu tempo.


um inédito de Rafael Camarasa
com tradução livre de Tiago Nené

fragmento de ode




















Nas cartas que se escrevem e não
chegam ao destino, o que ficou dito
tem o eco do que nunca será
esquecido: a voz que se ouviu numa
paragem do tempo, e atravessa
o centro da memória numa inquieta
procissão de sombras.
Pudessem os arcos do horizonte
abrir-se como um lamento de pombas;
ou este sonho fechar-se com o correr
da cortina de um último acto: nunca
os dedos amados irão soletrar
a frase do crepúsculo, soltando
da sua música um enxame de sílabas.
E o azul enche a garrafa do céu
para que as aves se embriaguem
no púlpito do infinito, arrastando
no seu voo uma cinza de imagens.


Nuno Júdice

que se fodam [tríptico de primavera]











que se fodam
do princípio ao fim de trás
de frente pelo meio
com mais ou menos
de pé de joelhos
aos cantos
na boca dormente
que se fodam
párias protocolos
papagaios de sala
gente mal aprendida
putas fáceis de convencer
bogas mal amanhadas
pedantes penteadinhos
que se fodam
com o que houver de limpo
entre a santa mãe religião
e o enxovalho de ser livre
nas grandes leis do mercado
que se fodam
ordinários de merda
escravizados do cimento
bonecos sem perspectiva
balsas sem salvamento
pessoas muito branquinhas
tão puras tão geniais
que se fodam
onde a cruz lhes for mais fundo
no apreciável remorso
do Império ardido
do melancólico mesquinho
derramando de sal
fodam-se nas lágrimas
condescendentes presunçosos
ministros da ordem do dia
porcelanas escaldadas
mimos d’engraxa o sapato
românticos rebarbados
filhos da grande cornuda
puta mãe de todas
fodam-se nas algibeiras
arrependam-se evangelizem-se
nas estrelas da União
que derruba as fronteiras
para a igualdade
fodam-se todos em geral
os animais da savana
os pinguins do antárctico
a floresta amazónia
o programa espacial
até à terceira geração
fodam-se todos na consciência
casta política
económico – canalha
Democratos cabeçudus
fodam-se na urna
atem-se à bandeira
enforquem-se nela
lambam tudo o que conseguirem
chupem chupem chupem
engulam até rebentar
e no fim peçam a reforma
como cidadãos de boa raça


João Bentes

AMANHÃ

O encontro de amanhã será na Fábrica da Cerveja (Rua do Castelo, Faro), na exposição ARTICULAÇÕES, onde iremos participar numa visita guiada às 22h em ponto.

fábulas




















Ainda uma palavra no labirinto ainda
a carne crua na boca dos centauros;
são assim as fábulas: os bandos partem
e os flamingos esperam,
as patas esmagando as penas que ficaram.
Depois são as asas que poisam no dorso de outros animais
são os campos que germinam nas entranhas das sementes
e a terra que não morre de parto
ainda que as flores nasçam siamesas.



Catarina Nunes de Almeida

in
"Prefloração", Quasi Edições

hoje às 17h30

Relembro o convite feito por Liliana Palhinha: hoje pelas 17h30 o Pátio de Letras é inaugurado.

Nós vamos!



Para mais informação clique na imagem.

o meu novo hobby




















O meu novo hobby passa por ler livros ou ver filmes, ou outra coisa qualquer, que os outros não gostem. É incrível como costumo ter resultados espantosos e fico sempre muito satisfeito no final.
Ontem, vi este senhor atacar o filme Brincadeiras Perigosas ("Funny Games", no original) e resolvi ir ver.

Adorei o filme e recomendo vivamente!

Mas será que ao recomendar vocês não farão o inverso do que eu faço?


[homem da canela]

a cor das raízes

teatro

(...)
Querida mulher, encontro-me em harmónio
com a luz a tocar o coração da mãe que lhe
dá o pai. O meu pai ardeu, e a luz nasce doadora
da respiração. Mais uma vez é a luz a meditar na
água. Tu és livre. Disse a água. E tu és eu. Disse
a mãe. Para nascer o pai. A luz e a água transformaram-se
em pão. Esposa o pão.
(...)

[antónio poppe]

onda culta


O principal objectivo da Onda Culta é informar sobre o que se passa no Algarve em matéria de cultura, abordando as diferentes expressões artísticas, as tradições, o património cultural e arquitectónico, bem como assuntos transversais à área.

A Onda Culta reveste-se também de uma vertente formativa e de incentivo ao espírito crítico e artístico, abrindo espaço à partilha de ideias, publicação de crónicas e apresentação de trabalhos da autoria de algarvios ou residentes na região.

Com uma linguagem simples, concisa e directa, a Onda Culta tenciona sensibilizar os mais diferentes públicos a descobrirem uma faceta do Algarve raramente ilustrada nos postais e pouco falada nos órgãos de comunicação social. Pretende-se divulgar uma região com uma oferta cultural cada vez maior e diversificada e que, por isso, merece ser visitada em qualquer altura do ano.

(Aqui)

tenham medo, tenham muito medo




















já aí andam os cinco desdobráveis da revista big ode, edição dedicada à temática dos pesadelos

sul


"It's time to go again
To your blue room
Got some questions to ask of you
In your blue room
The air is clean
Your skin is clear
I've had enough of
hanging round here
It's a different kind of conversation
In your blue room"

Passengers, Your Blue Room


Quando a neblina se tingiu de azul
E os pássaros voaram para o sul
Pensei em ti

É na penumbra das palavras que te escondes
Mas é sempre em silêncio que te denuncias
Há janelas indiscretas nos ângulos dos teus versos
Equilíbrios improváveis de luzes que chovem e águas que iluminam
É inútil diluíres-te na imensidão submersa de qualquer lugar
Há demasiada singularidade em ti…

Quando a neblina se tingiu de azul
E os pássaros voaram para o sul
Reconheci-me em ti.


Para o Tiago, o poeta do sul, em jeito de agradecimento pela “Manhã de Guerra”

Lemon(ite)

park street





















Ama quem queiras com o coração
mas ama-me, só a mim, com o teu corpo.

Ninguém ama só com o coração:
um coração não serve sem um corpo.


J.M. Fonollosa
in Cidade do Homem: New York

micro-ensaio sobre a amizade









Na biblioteca um livro assinado e dedicado, com a sua amizade, a alguém pelo seu autor. Que terá acontecido ao dono do livro para este ter ido parar à biblioteca? Terá morrido? Terá o Estado penhorado o livro entre um montão de coisas da sua bela moradia e depois doado à biblioteca? Se o Estado penhorou o livro, e sublinho o que já disse – um livro assinado e dedicado a alguém – então o Estado já penhora sentimentos e já se imiscui na Poesia enquanto algo mais do que o mero livro penhorável entre uma série de objectos pessoais.

O autor chama-se Abelardo Rodríguez. Resolvo não procurar informação acerca da sua pessoa, não sabendo questões básicas como, por exemplo, se vive, morre ou está morto. Olho para ele através da foto que consta de uma das páginas iniciais, com uma barba escura e séria. “Abelardo Rodríguez”, repito a mim mesmo. Enquanto escrevo isto resulta que se me afigura possível que o Abelardo (ou os seus filhos ou netos, legítimos ou bastardos) , procure no google pelo seu próprio nome e encontre estas considerações de alguém que não conhece, seu equidistante a muita ou pouca distância.


O Abelardo ficará triste. A biblioteca é detentora de parte da sua amizade. E hoje apeteceu-me requisitá-la.



Texto de Tiago Nené
foto de manuel a. domingos

Londres












nunca cheguei a escrever um poema sobre
a cidade ser à noite um carrossel
de luzes. nem outro sobre
a fotografia onde fiquei com ar
envergonhado. ou sobre o frio e
o passeio por Hyde Park, onde
pássaros vieram comer às tuas mãos
e eu deixei fugir alguns versos
só para te poder fotografar. ou sobre
a casa estilo vitoriano, que prometeu
ocultar todas as palavras que dissemos
um ao outro, quando ao deitar
nos encolhíamos debaixo de
vários cobertores e mesmo assim
tínhamos frio. ou o definitivo,
aquele que falaria sobre Greenwich
e o meridiano que me ensinou a importância
do tempo que sempre falta, principalmente
quando numa das pontes quis dizer amo-te,
mas havia um autocarro para
apanhar. e era já o último.


manuel a.domingos
in mapa


a metamorfose das plantas dos pés, de catarina nunes de almeida
























Catarina Nunes de Almeida nasceu em Lisboa, numa manhã de Agosto, a poucos passos do castelo. Muito cedo conheceu o fascínio pelo Teatro, frequentando diversos cursos e projectos criativos, mas acabou por se licenciar em Língua e Cultura Portuguesa, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 2005, começa a publicar poemas em diversas revistas literárias portuguesas e estrangeiras. Com o livro Prefloração (Quasi, 2006)recebe o Prémio de Poesia Daniel Faria e o Prémio do PEN Clube Português para a Primeira Obra. Entretanto, tem participado em diversos encontros internacionais de poesia. Iniciou em 2007 a preparação de uma Tese de Doutoramento sobre a poesia portuguesa contemporânea e as estéticas orientais, na Universidade Nova de Lisboa. Desde então, tem produzido alguns estudos ensaísticos, integrados em diversas publicações. Ensina actualmente Língua Portuguesa na Universidade de Pisa, onde tem organizado, com frequência, actividades culturais no âmbito da literatura portuguesa. A Metamorfose das Plantas dos Pés é o seu segundo livro de poesia, publicado em 2008 em Portugal e Itália.


Apresentações:

Porto, dia 11 de Julho,
pelas 18:30, na Livraria Índex (Junto ao Palácio de Cristal). Com Pedro Eiras.

Lisboa, dia 18 de Julho,
pelas 21:30, na Fnac Colombo. Com José Luís Peixoto.

muito interessante!




















Quarto Com Ilhas
de Manuel Moya com tradução de Rui Costa
Editora e posto de venda: Livrododia

paisagens da mesma solidão















Ninguém me disse, um dia,
No escuro
Que há palavras que são sítios por dentro.

Ninguém me disse, um dia,
Que há noites que são quase lugares.
Paisagens da mesmo solidão,
Plena de outros lados:
As lágrimas principais.

Como ruas assim,
Que se existissem de tanto silêncio,
Seriam planícies de mais frias
E despovoadas,
Morrendo com tanta força que nunca
Se encontrariam no mesmo medo.

Porque no silêncio,
Há sempre o perigo de palavras às escuras

(onde tenho todas as ruas do mundo
À minha espera)


Duarte Temtem in o poema insone
Fotografia de manuel a. domingos

poema










A progressão aquática da vírgula descalça o
náufrago - olhos de dezembro
na miopia das areias rastejantes, é assim
o recomeço de todas as linguagens.

A árvore o barco a quilha da vicissitude
aquática
o mimetismo da espuma no núcleo
da sombra
quem espreita pela fechadura de deus?
eis um resultado nómada.

40 braços do que pensas enquanto
o sonho levanta uma heresia?

A progressão aquática da vírgula
descalça o náufrago.


rui dias simão

in hipantropias

Poderia Dizer-te


para a Ana, um poema e mais

Poderia dizer-te dos tendões e das mãos onde eles percorrem

o seu destino. Poderia dizer-te dos olhos se quisesse ser fácil

este verso, dizer-te do mar e ser evidente, ou das órbitas onde

gravito em cada sorriso teu e construir metáforas. Do fascínio

que as sobrancelhas me impõem nos dedos, dizer-te das nossas

conversas na faculdade, entre as teóricas e a foz, entre os

livros de ecologia dois e a tua ternura enquanto dissecavas,

tão gentilmente, o polvo. Dizer-te da lula, não do polvo, quis

mentir para esbracejar versos como tentáculos, manter viva

a tinta, a inteligência mais reconhecida. Ou dizer-te do choco

– era, isso sim, um choco de carapaça dura com que percorrias

o bisturi e onde mantinha o meu dedo segurando-lhe a pele e

entregando, desde cedo, o meu corpo ao teu cuidado. Poderia

dizer-te do sangue no corte profundo dos meus tendões, mas

quero saber o leitor focado antes nos teus, nas mãos com que

disse o primeiro verso. Vou dizer-te: os lábios. Como quem

diz nariz mas não pode, os poemas em que se dizem faces não

permitem outra pele que não a dos lábios, outro cheiro que não

o teu, outra boca que não a tua, próxima, interrompendo frases

e subindo colinas como só estes versos longos sobem. Poderia

dizer-te tudo mas tudo ficaria inaudito. Não há poema, em cinco

séculos de literatura, que te compare a elegância nos versos.

Nem Camões, nem Florbela, nem a nossa Rosário sussurrando-nos

a voz que conhecemos nos ouvidos quando a lemos, ninguém.

Pretensão enorme a minha, portanto, ultrapassar o feito e

inaugurar linguagem – aquela que te descreva como deve.

Poderia dizer-te se o soubesse como; ou o pudesse, pelo menos,

trazer dos versos do Ruy Belo como empréstimo, elaborar o meu

Elogio de Maria Teresa mudando-lhe o destinatário e em muito

as suas palavras. Poderia dizer-te se essas mesmas palavras

permitissem impor uma mulher no centro de uma vida, uma

menina inglesa, trazida também de Cambridge, quem sabe, uma

elegância alta e vertical e desejada, um cabelo e os óculos escuros,

poderia dizer-te. Mas não. Que a minha memória desafia o

leitor a imaginar os versos que não escrevo, dizer-te poema

final e definitivo, da completude dizer-te amor.


Jorge Reis-Sá

[postado por tiago nené]

pátio aberto

Finalmente este projecto vai para a frente! Dia 12 de Julho o Pátio de Letras abre as portas pelas 17h30, com uma exposição e apresentação de um livro.

Agora já se pode tomar café em Faro aos domingos!

Mais detalhes sobre o espaço e a inauguração aqui.

[recebido por mail]

fome

depois de passar aqui fiquei com fome...


[tn]

sem título


Ao correr do tempo

Ao correr da pena

Ao correr atrás da vida que tenho e que não queria ter

Por momentos

Por uns estranhos

Estranhíssimos

Momentos

E num inútil absurdo inconsequente esforço de resistência

Pensei parar um pouco o tempo, o tal de tempo que outrora julguei meu

(Talvez sonhar, querer outra vida...)

Mas

Apanhei o autocarro a correr

Entrei no emprego a correr

Esqueci a vida que queria ter

Estranhamente e apesar de tudo

Depois

Num inútil absurdo inconsequente esforço de resistência

Não corri

Parei

Por isso a máquina determinou eloquentemente o meu destino

Morri

Apesar disso no dia seguinte voltei de novo ao emprego e ninguém deu por isso passaram todos a correr atrás das vidas que não queriam ter e que nem essas tiveram tempo para viver ou sequer notar que eu estava morto continuaram a correr só quando morressem se aperceberiam que estavam parados continuaram a correr eu apesar de morto no exacto fim do expediente voltei para casa no dia seguinte no exacto início do expediente voltei para o emprego ninguém deu pela diferença pelo que aqui continuo morto e mais uns dias e até eu próprio julgo que estou vivo de novo tanto mais que nesta puta desta vida que eu não escolhi entre a vida e a morte não há nada nem um momento de diferença e vivendo nesta indiferença nem alguém nos empresta sequer uma vírgula caramba

- Não tenho uma vírgula mas toma lá um ponto dás-me o troco depois – disse o Zé da contabilidade

- Obrigado - respondi

Ponto

(- Para Ágrafo! – ordenei eu ao motorista da minha nave enquanto acenava ao mundo pela escotilha do meu quarto privativo com uma suprema vista para as 53 luas que orbitam os meus desejos inconsequentes)

devo ser o último tempo













Devo ser o último tempo

A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos

O cadáver onde a aranha decide o círculo.

Devo ser o último degrau na escada de Jacob

E o último sonho nele

Devo ser-lhe a última dor no quadril.

Devo ser o mendigo à minha porta

E a casa posta à venda.

Devo ser o chão que me recebe

E a árvore que me planta.

Em silêncio e devagar no escuro

Devo ser a véspera. Devo ser o sal

Voltado para trás.

Ou a pergunta na hora de partir.


Daniel Faria

em A Explicação das Árvores e dos Outros Animais


Um dia acende-se o vazio do palco
cai o pano sobre o pó

evaporam as palavras dos teus olhos
um pássaro boceja à beira do tempo

depois

não haverá antes nem depois
apenas um silêncio
um perfume ecoando pelo vale
uma folha dolorida levada pelo rio.


Vieira Calado

unidade brilhante


o amor tem as mãos abertas.
para construir a ebriedade do desejo,
as substâncias vigilantes e luminosas.
a sede do fogo que atravessa o sangue.
o amor é a unidade brilhante.
que se desprende das árvores, das pedras e do ar.
e se apoia na matéria ardente.
e na consciência respira como uma folhagem breve.


in
na escrita e no rosto
fernando esteves pinto

Nada morrerá no dia em que eu morrer

Nada morrerá no dia em que eu morrer
excepto uma combinação de equilíbrio,
sem mais explicações.

Pela minha mão chegarei
aos campos de jardas.

No fundo do vale,
alguém,
um fato às riscas elegantes,
a chave da redenção.

Tudo terá sido um sonho condensado
a acordar sob uma outra forma
para além
da curva do tempo:
a carreira do fruto
que precisa de várias árvores
para ser apenas um.


Juan Carlos Reche

big ode - pesadelos














Colaboradores deste número da big ode:



Ana Marques da Silva (POR)
Ângelo Mazzuchelli (BRA)
Angelo Ricciardi (ITA)
António Carvalho (POR)
António Orihuela (ESP)
Arturo Accio (MEX)
Ausias Millet (POR/ESP)
Constança Lucas (BRA)
Cristovão Crespo (POR)
Fernando Aguiar (POR)
Fernando Dinis (POR)
Fernando Esteves Pinto (POR)
Francisco Carrola (POR)
Helen White (GB/BEL)
Henrique Fialho (POR)
Hilda Paz (ARG)
João Concha (POR)
João Ferreira (POR)
João Meirinhos (POR)
João Pereira de Matos (POR)
João Samões (POR)
luci n da lourenço (POR)
Luís Ene & Margarida Delgado (POR)
Margem d’Arte (Frederico Fonseca, Mário Lisboa Duarte) (POR)
Maria João Lopes Fernandes (POR)
Mário Calado Pedro (POR)
Miguel Jimenez (ESP)
Rafael Neira (MEX)
Raquel Coelho & Sara Franco (POR)
Renaat Ramon (BEL)
Ricardo Riancho (MEX)
Rita Grácio (POR)
Rodrigo Miragaia (POR)
Rute Mota (POR)
Rui Carlos Souto (POR)
Rui Costa (POR)
Rui Effe (POR)
Sal & Ana (POR)
Sandra G.D. (POR)
Sara Monteiro & Margarida Parente (POR)
Serse Luigetti (ITA)
Sílvia Effe (POR)
Tiago A. da Veiga (POR)
Tiago Nené (POR)
Tim Gaze (AUT)
Virgílio Vieira Tebas (POR)

Vítor Vicente (POR)