. - estou - está lá? - sim? - é do escritório do sotôr? - é sim. - e ele está? - está sim - e pode chamá-lo? - é o próprio. - como? - é ele - ele quem? - o advogado - qual advogado? - o sotôr, com quem deseja falar - como sabe com quem desejo falar? - o senhor deseja falar comigo, perguntou por mim. - e a secretária? - não existe secretária neste escritório, só secretário. - e onde está o secretário? - o secretário hoje não pôde vir. - e o advogado é que atende o telefone? - sim, por que não haveria de atender? - é estranho não haver quem me passe ao advogado, desconfio de advogados que atendem o telefone. Provavelmente têm pouco trabalho. Se têm pouco trabalho são incompetentes. Se são incompetentes não servem. [a chamada foi interrompida]
Por pouco não conseguia o meu exemplar do brilhante livro de estreia de Miguel-Manso (edição de autor) Contra a Manhã Burra, visto ter esgotado pouco depois (a primeira edição, claro está). Agradeço à minha amiga Marta da Assírio, o especial favor de mo ter enviado.
Eis um dos poemas:
BOTÂNICA
Backster decidiu utilizar um detector de mentiras para medir a velocidade com que a água sobe da raiz de um filodendro até às folhas
apercebeu-se então que o desenho era em tudo semelhante ao que acontece quando se submete o mesmo aparelho a uma pessoa
e mais espantoso ainda verificou serem as plantas capazes de adivinhar o pensamento humano pois só assim se explica a dramática subida do nível gráfico
apenas por ter passado pela cabeça de Backster a hipótese de queimar uma das folhas
entende-se melhor agora a insistência de alguns botânicos na necessidade de se dar mais atenção aos letreiros