O que pode ser feito para melhorar esse panorama? [artístico]
valter hugo mãe
in Correio da Manhã de hoje
[tn]
A genialidade
Uberto Stabile
(Excerto deste texto. Tradução minha)
[tn]
A felicidade dos meus amigos
PS: nunca mais soube nada de F.
[tn]
e porque ontem foi dia dos namorados...

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
fotografia de: miguel murta
Ondjaki, Correntes d'Escritas, Pátio de Letras, Os Dias do Amor, ontem, eu
Quando cheguei ao Pátio de Letras esqueci-me do choque da definição de Correntes d'Escritas do Ondjaki e desfrutei de boas leituras de poemas na apresentação da antologia de poesia Os Dias do Amor. Fiquei um pouco vaidoso por terem lido o meu poema "antologia", é verdade, mas também envergonhado quando os muitos presentes olharam para mim. No final, alguém que não conhecia, depois de me ter felicitado pelo poema, pediu-me para escrever algo na página onde ele se encontra. Então escrevi assim "para a Filipa, que a sua vida também seja uma antologia e, de preferência, com muitos poemas".
Fui para Tavira, logo de seguida para uma festa de família, e a declaração do Ondjaki reapareceu na minha cabeça: "As Correntes d'Escritas são um espaço para o reencontro de amigos". Como diria alguém: e esta, hein?
[tn]
O amor está em Faro
Hoje, pelas 17 Horas, realizar-se-á a apresentação da antologia de poesia Os Dias do Amor no Pátio de Letras, em Faro. Tanto quanto julgamos saber, a sessão terá o seu enfoque nos poetas algarvios que nela estão representados em elevado número, prova da grande tradição de poetas que desde sempre têm passado pela nossa região.
Al-Mu'tamid (Silves),
João de Deus (São Bartolomeu de Messines),
Bernardo de Passos (São Brás de Alportel)
João Lúcio (Olhão),
António Ramos Rosa (Faro),
Casimiro de Brito (Loulé),
Gastão Cruz (Faro),
Leonilda Cavaco Alfarrobinha (Paderne),
Torquato da Luz (Alcantarilha),
Myriam Jubilot de Carvalho (Tavira),
Gabriela Rocha Martins (Faro),
Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande),
Fernando Cabrita (Olhão),
Manuel Neto dos Santos (Alcantarilha),
Fernando Esteves Pinto (Olhão),
José Carlos Barros (Vila Nova de Cacela),
Miguel Godinho (Vila Real de Santo António),
Pedro Afonso (Faro),
Tiago Nené (Tavira).
Feliz Dia dos Namorados
Neste dia dos namorados escolhi algo especial para colocar aqui. O poeta chama-se Antonio Rigo e, neste singelo poema, fala-nos subtilmente da vida das palavras e, em suma, da importância da comunicação entre duas pessoas.
Em que jardim?
Debaixo de que pedra ou árvore?
Em que momento da sua vida
atravessam a luz e
saem ao nosso encontro
para nos sarar?
Antonio Rigo,
poeta espanhol,
natural de
Palma de Maiorca
(tradução de Tiago Nené)
Instante, um poema de Samuel Beckett
Instante
Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam
Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direcção ao socorro em direcção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros
Que faria eu eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
preso num espaço-marioneta
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.
Samuel Beckett
(tradução de Tiago Nené)
