
ÉRAMOS TÃO NOVOS
[a uma pessoa perfeita]
éramos tão novos,
explodíamos por tudo e por nada,
lembrávamo-nos de existir
em cada pequena coisa,
atendíamos telefones públicos,
incendiávamos o silêncio com um grito,
adorávamos que nos invejassem,
bebíamos veneno para dormir.
a memória era costeira e mecânica,
havia búzios em nós, o som perfeito, esculpido
de uma cidade esvaída
da tímida perspectiva do mar.
e só o não saber nos marcava as horas, cada minuto
desprendia os corpos mútuos,
o repetido fim interrompido ia bebendo o resto do tempo.
Tiago Nené
in Medidas para o Fim da Crise
(a publicar em 2056)
























