
Corações de Plenilúnio
[ao Frederico]
a entrada secreta é breve como
a abertura dos lábios meramente à PALAVRA.
a necessidade de uma necessidade gera
a incompletude que produz o néctar
no coração feminino de plenilúnio.
as folhas no ar conduzem borboletas inatmosféricas,
o vento conduz o ódio que a criação retém
num fio de silêncio atravessando
a transparência oculta da matéria.
a entrada da espera é breve
e emancipa um segredo que ainda se funde
nas membranas de uma tentativa
assertiva e ovípara de coerência.
esperar por ti é esperar que o primeiro final
da história que ainda corre num só cateto
te desiluda como um relógio que pára,
um gato subitamente fusco, ou
um verso mau do nosso poeta preferido.
Tiago Nené
inédito




















