Uma autêntica chachada o documentário que ontem vi no Pátio de Letras, um tal de Jus ou a Solidão da Justiça. Incomodou-me, a mim e a algumas pessoas que vinham a sair, ter visto a Câmara de Faro a financiar aquilo e imagino que deve ter custado uma fortuna.Questiono a importância de ouvir uns quantos presidiários a dizerem o que tinham feito, quantos anos de prisão apanharam e o que para eles era o sistema, sem a mínimo enquadramento ou preocupação pedagógica... Mais escandaloso é apresentarem aquilo como um trabalho sociológico, filosófico e antropológico. Era a gozar, certo?
Um desafio: experimentem ir pedir apoios para a literatura, evitar que se perca a continuidade de uma verdadeira tradição de poetas da cidade (e há novos nomes a despontar) e vejam o que acontece...
É chato o facto de reconhecerem (e veja-se a propósito a entrevista de Hugo Milhanas Machado sobre esse ponto) que o Algarve é um dos lugares do país onde a actividade literária é maior (especialmente em Faro) e depois que acontece? há menor materialização porque o dinheiro vai parar sempre aos mesmos sítios... E valerá a pena este texto? Se calhar não. Mas pelo menos chateia um bocadinho.
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