Polishop em Olhão
























Apresentação, por Maria Luísa Francisco, 
do livro de poesia Polishop,
 (Punta Umbría, 2010, Palavra Ibérica) de Tiago Nené
Olhão, dia 22 de Julho de 2010, 18h00
Biblioteca Municipal


Perfídia

Incrível como se ama
qualquer animal
recém-nascido.
por isso, ainda
que em vão, amamos
o amor quando nasce, esse
animal que em criança
alimentamos,
e que um dia
nos comerá o coração.

Perfidia

Increíble cómo se ama
cualquier animal
recién nacido.
Por eso, aún
en vano, amamos
el amor cuando nace, ese
animal que de niño
alimentamos
y que un día
nos comerá el corazón.


Tiago Nené,
in Polishop
(palavra ibérica, punta umbría, 2010)
Prefácio de José Carlos Barros 
Tradução de Santiago Aguaded Landero

Suspensão, um poema de Isa Mestre

E quando sorris somos dois.
Eu dentro de ti.
Eu novamente a vasculhar-te a alma.
Eu novamente teu, tão teu.

Nos teus olhos.
Na tua boca.
No teu Ser.

E tu não me pedes mais nada.
Ficas por aí.

E às vezes pensas que não és tu.
E às vezes penso que não sou eu.
Depois existimos.
Depois beijamo-nos.
Depois dás-me a certeza de ser teu para sempre.
Ou quase sempre.

Isa Mestre

Laconismos, poema inédito de Gavine Rubro

Absurdos. abstractos e mudos
Atrozes tubos, conectados por surdos muros, de estranhos juízos.

Tomo banho num chuveiro,
Que me escorre sentimentos deturpados,
Pelo percorrer do meu corpo masculino.
Enxaguo minha pele com espuma de pensamentos
Revolucionários, que nunca chegam a ser.
Seco-me na toalha de meditações,
Que cobre as minhas intimidades.
Tenho em mãos o secador
De cabelos não brancos,
Mas cansados de apanhar ventos, pós e chuvas.
Calco meus sapatos, procurando possíveis pedras
Que me assustem os pés.
Minha refeição, saudável ou não,
Serve apenas para acomodar minhas digestões,
Durante curtos tiquetaques de uma ampulheta, demasiado veloz.

O denominador comum do equilíbrio
Passa pela conjugação correcta
Das safiras vitais elementares.

Empatia. Anos.
Mania. Dias.
Folia. Milésimos lacónicos de segundo.

As coisas que me fascinam
São as que não têm por vezes interpretação,
Para os outros.

Mensagem, um poema de Isa Mestre

[para c., com a minha mão sobre a tua]

Hipoteticamente coloco a minha mão sobre a tua.
Quero dizer-te que estou contigo.
Quero dizer-te que te amo e que vou estar sempre aqui.

Mas não quero que sintas a minha presença,
Não quero sequer que saibas que posso tocar-te.

Não quero recordar-te. Não quero ferir-te.
Não me perguntes nada.
Simplesmente não quero.
Deixa-me ficar por aqui a olhar para ti na certeza de que Ele olha por nós.

Isa Mestre

Saber que voltas

Nada me entretém. Quis distrair-me de ti e acabei por distrair-me de mim.
Telefonaste e não atendi. Partira. Para qualquer um outro lugar. Não perguntaste se voltava. Não interessa.
E eu estava mesmo ali. Mas apesar de tudo partira. O meu lado B, a minha cassete estragada, aquilo a que odiosamente chamavas o meu outro eu.
Ser capaz de partir é maior e mais forte do que ter vontade de voltar. Mas tu não entendes. Ainda não podes entender.
Quero-te bem. E por isso não te ralho. Seria incapaz de ralhar-te.
Não sei ainda se posso duvidar da certeza, se posso adormecer sóbrio e confiante nos lençóis da tua ausência. Não sei.
Ligo a televisão. Quero distrair-me com qualquer porcaria que me atirem para os olhos. Por momentos peço ao ecrã que me cegue, que me cegue para não mais poder ver o vazio, que me cegue para não mais saber dessa cama vazia, dessa poltrona desocupada, desse candeeiro desligado. Cega-me. Cega-me de uma vez para que a luz da tua ausência não volte a ferir-me os olhos.
E se puderes telefona. Quero perguntar-te se voltas.

Angústia

Tudo me lembra de ti. É nesse momento que tenho a absoluta certeza que querer esquecer é a maior garantia de recordar. Recordar para sempre. E eu que queria adormecer por uns tempos, de repente, aqui, perdida, inerte, novamente imbuída em pensamentos. Tão inútil como todos nós.
E as minhas mãos, meu amor, são apenas as minhas mãos. Não servem para salvar vidas nem para acolher esperanças. As minhas mãos, meu amor, às vezes são apenas dois becos rumo ao medo, de encontro à solidão.
Mas tu nunca me perguntas se tenho medo.
E eu tenho. Tenho tantas vezes.
Olhas-me apenas. Queres dizer-me que posso chorar, que não devo envergonhar-me. Mas não dizes. Não dizes nada.
Sentas-te e colocas as mãos sobre a face. Choras.
Pergunto-te se podemos chorar os dois.
Acenas afirmativamente e em segundos lá estamos os dois abraçados no nada.

Isa Mestre

ouve-me

[ao único que pode realmente ouvir-me]

Sei que estás aí. Não me deixes fugir. Quero acreditar que te posso ainda segurar a mão. Quero acreditar que o medo que agora sinto dentro do peito seja extinto por qualquer um abraço apertado no calor da noite, por um beijo quente enquanto durmo, por uma palavra sussurrada ao ouvido. Sei que estás aí. Não me deixes acreditar que estou sozinha.
Estou assustada. Cuida de mim. Fá-lo para que possa cuidar daqueles que mais amo.
Falo-te. Mas a tua voz quase sempre inaudível traz o medo de que a distância seja demasiado grande, de que a vida seja apenas um cruzamento de sentimentos e eu não saiba realmente estar em nenhum lugar.
Sei que estás aí. Mas perdoa-me, é maior o medo. É maior o amor, que afinal é a única coisa que nos faz ter medo.
Ouve-me. Não me deixes fugir. Não me deixes acreditar-me sozinha. Quero estar contigo.
Ou melhor, preciso que estejas comigo.
Perdoa-me o egoísmo das minhas palavras, mas preciso de ti.
Preciso que olhes por ele, que olhes por nós.

Isa Mestre

Diálogo da tua ausência (2)

[para o meu outro eu]

Se ficares não me deixes só.

O medo sou apenas eu a olhar-me ao espelho,
o medo, reflexo de todas as palavras,
o medo, desenho cruel de todos os eus que me habitam.

Podes ir, mas por favor, se ficares não me deixes só.

Isa Mestre

auto-comiseração, um poema de Isa Mestre

Tu aí. Pára.
Não ouses escrever mais uma palavra.
Magoa-me o teu sentir, dói-me a tua dor.

E eu que não pedi para pensar,
de repente, aqui,
perdido, estático, inerte,
de repente tão vagabundo do meu ser.

Tu aí. Pára.
Entende que as palavras são balas e eu tenho o coração ferido.

Por isso, peço-te,
- Não me mates mais.

Isa Mestre

Apresentação de Polishop (Tiago Nené)























Perdoem-me a ausência, em razão da sobrecarga de trabalho. 
Saiu em Espanha, há umas semanas, o meu novo livro de poesia, intitulado Polishop (ed. bilingue, trad: Santiago Aguaded Landero). 
José Carlos Barros (autor do prefácio) apresentá-lo-á em Faro, com leituras de Ana Manjua, no Pátio de Letras como mostra o cartaz, e o Pedro Teixeira Neves, dia 19 de Junho pelas 18h00, fará o mesmo em Lisboa na livraria Trama.

A Inês Ramos publicou [aqui] um dos poemas do livro.

[tiago nené]

Poema ready-made

Aspergi um poema com uma colher de café
com leite
E o poema (sem
qualquer tipo de pretensiosismo) ficou imaculado
um acto tão mecânico como um espirro deu-lhe uma aura.
Um Néon num fundo branco no século XVIII (que novidade, que intransigência
quase como igrejas antes de haver casas)
Tudo no poema eram imagens seculares,
Um poema com café
Matéria em matéria em matéria
Repetição, como uma obra de arte é, repetida
sempre com conotação beatífica.
um poema com acessório é um poemacessório
Um poema com um brinco é nicho. Os nichos ajudam à
Metafísica. Quem lê agradece, quem escreve esquece.


Adriano Narciso

Elevador da Glória

Olho-te.

Olho-te e percebo que nem sempre os olhos servem para nos vermos.

Hoje, apenas escuridão.

Hoje, silêncio no lugar das palavras.
Hoje, o medo absoluto de sentir, de ser, de sorrir.

De sorrir-te.

Não me perguntas se me sinto só.

Queres perguntar outras coisas, mas as palavras ficam-te presas na garganta.
Embora não te veja a ti, vejo-as, sinto-as, agarro-as.

Em segredo. Sempre em segredo para que ninguém saiba o que dizem de mim.

Diálogo com a tua ausência

Caminhavámos firme,
acertávamos sempre o passo.

Um pé e depois o outro.
Depois o teu e novamente o meu.

Hoje o que dói não é não acertarmos o passo,
é nem ter o teu para poder tentar acertar.

Isa Mestre

[auto-suficiente]

Quando falamos pouco dizemos quase sempre o suficiente.
Mas o suficiente nunca basta.
O suficiente nunca é suficiente. é sempre pouco.

Desviamos o olhar.
perdemo-nos de medo.
desejamos que as nossas vozes não voltem a encontrar-se no ar.

E num instante,
lá estamos nós outra vez,
a gastar palavras.

Há tempo que não me sorris.
Queria saber porquê, mas não pergunto.
As palavras nunca são suficientes.

As palavras ou são pouco ou sabem a pouco.

Isa Mestre

Arde um beijo.

Arde um beijo. Os labirintos das nossas línguas são o fogo. E as bocas, o único oxigénio que controla o que resta de consciente nesse gesto. E Arde… Arde… Arde.

[Existem incêndios que jamais haveriam de se extinguir…] Os nossos corpos respondem, e, por entre os resquícios de mais um dia penosamente igual aos outros, o perigo interrompido desse acto socialmente proibido, desnuda-nos as almas e torna-nos mais humanos.



A morte do poeta

Escreve-me.
Deixa-me existir nas tuas palavras.
Deixa-me sorrir a quem te lê.

Não tenhas medo.
Não hão-de achar-te ridículo.
Todos eles já se acharam ridículos e sabem que nem todas as palavras soam bem.

Escreve-me.
Mesmo que tenhas medo.
Mesmo que o ponto final nunca faça sentido no local onde o pões.

Escreve-me.
Porque no dia em que deixares de me escrever, matas-me,
e matando-me a mim quem sabe se restará algo de ti?

Isa Mestre

Sobre a literatura russa

Os escritores vão à china
escrever livros.
Quando estão lá escrevem mal da China
e dos chineses

E foram tão felizes na China.
Conheceram tantas chinesas.


Adriano Narciso

PROGRAMA EDITA 2010, Punta Umbría, Espanha

























QUINTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2010

18:00h. Teatro del Mar

Mesa 1
Acto de entrega del III Premio Internacional de Poesía Palabra Ibérica 2010
Aída Monteón y Tiago Nené de Palabra Ibérica (Punta Umbría, Huelva): “Decantación” y “Polishop”
Pedro J. Martín Pedrós, Lupe García Anaya y Adolfo Morales de Poesía en la distancia (Huelva) “Sin dejar señales”
M. Lucas González Toro de Revista Laurel (Escacena del Campo, Huelva) “Presentación Mojinganga”


19.30h. Teatro del Mar
Mesa 2
Francisco Aliseda de Centro de Poesía Visual (Peñarroya-Pueblonuevo, Córdoba) “Dos Orillas. Encuentro España-México”
Fernando Esteves Pinto de 4Águas Editora (Olhão, Portugal) “Escrita Corrente”
Rubén Barroso de Contenedores (Sevilla) “Contenedores. Muestra Internacional de Arte de acció: Una década de Performance en Sevilla (2001-2010)
Laura Sanza Martínez de La Veloz Ediciones (Torremocha del Jarama, Madrid) “Presentación de La Veloz Ediciocnes”


23.00h. Bar Reflejos
La Noche del Ágoras (Saltillo, Coahuila, México)
1ª Parte
Aída Monteón, José Brú, Dante Medina (Zapopan, Jalisco)
Juan Armando Rojas Joo (Ciudad Juarez, Chihuahua) “Río vertebral” (poesía transfronteriza)
Alejandra Peart, Claudia Luna, Jerónimo Valdés, Mercedes Luna (Saltillo, Coahuila)
Sayak Valencia (Tijuana, Baja California) “El reverso exacto del texto” (recital/performance)
Jon Andoni Goikoetxea (Barakaldo, Bizkaya) “Punto y aparte” (performance)
Pere Sousa (Barcelona) “Dadaphone v.10.05”


01.00h. Bar Reflejos
2ª Parte
Francisco Cumpián y Bárbara Zagora (Málaga) “Cigara y Calmez, ARDER”
Eva Vaz (Isla Cristina, Huelva)
José Luis Piquero (Gijón, Asturias)
Jorge Melícias y Fernando de Castro (Oporto, Portugal)
Yolanda Pérez Herreras (Madrid) “Perforkaraoke: Cantemos como si cantáramos bien”
Antonio Vega (Mérida, Badajoz) Talleres Estrella (rap-sonetos, microconcierto)
Rodolfo Franco (Mérida/Brasil) “Almanak”


SEXTA-FEIRA, 30 DE ABRIL


10:00h. Teatro del Mar
Mesa 3
Sonia Antón Ríos y Jordi Corominas de Calidoscopio.net (Barcelona) “Calidoscopio.net, un panfleto en la red”
Antonio Vega de Dadá Ediciones (Mérida, Badajoz) Presentación de Dadá Ediciones y VideoDadá
Carmen Herrera de GusiCreaciones (Sevilla) “Poetas a hostias”
Terry Berne y Agustín Devós de Jeder Editorial (Sevilla) “ Eric Berne Centenital: Análisis Transaccional, Juegos Psicológicos y Juegos de Poder”
Horacio Romero de Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo (Pachuca, Hidalgo, México) “Feria Iberoamericana del Libro Independiente“


12:00h. Teatro del Mar
Mesa 4
Josep Mª Riera Gassiot de Montflorit Edicions (Cerdanyola del Vallés, Barcelona) “Obra de Víctor Canicio”
Natividad de la Puerta de A Fortiori Editorial (Bilbao) “Mensajes efímeros”
Juan Armando Rojas Joo (Ciudad Juarez, Chihuahua, México) “La literatura de la frontera México / EEUU”
Igor Almeida e Sousade Confraria de Alfarroba (Luz de Tavira, Portugal) “Algarve: un proyecto cultura alternativo”
Antonio G. Villarán y Nuria Mezquita de Cangrejo Pistolero Ediciones (Sevilla) “Perfopoesía pública: Las Noches del Cangrejo, Festival Internacional de Perfopoesía de Sevilla)


17:00h. Teatro del Mar
Mesa 5
Cisco Bellabestia y Sara Herculano de Aristas Martínez (Badajoz) “Aritas Martínez: Breve historia editorial” + “Shhhhh” (concierto audiovisual)
Alumnas del Ciclo Superior de Arte Textil de la Esccuela de Arte de Granada. Revista Entretelas (Granada) “Mujer Revista en Tela”
Yolanda Pérez Herreras de Experimenta (Madrid) “experimenta… Ven y Vino”
Rodolfo Franco de arteLetra (Mérida/Brasil) “Pornogramas”
Fernando Aguiar de Associação Poesía Viva (Lisboa, Portugal) “Poesía Sonora LXXXII” (recital)
Alejandra Peart de Atemporia Editorial (Saltillo, Coahuila, México) “editorialMENTE en el norte del país”


Mercedes Luna de Taller de La Caballeriza (Saltillo, Coahuila, México) “Palabras inquietas o cómo sentarse sobre ellas” (Acción urbana)


19:00h. Teatro del Mar
Mesa 6
Alejandro Arizpe y Claudia Luna de Elementocero Ediciones (Saltillo, Cohauila, México) “La piel de la luz”
Carmen G. Palacios y Manuela Martínez de Lalata (Albacete) “Lalata delata – Primeros Auxilios”
Diego Ortiz y Pepe Murciego de La Más Bella (Madrid) “Anda ya!”
Pere Sousa de Merz Mail (Barcelona) “598: n1 º4 Notebook y nº 15 Kurt Schwitters & Fred Uhlam, la guerra y la reclusión”
Manuel Maciá e Irene Maciá de MAE: Museo de Arte Extemporáneo (Elx, Alicante) ??????
Txus García y Laura Guitierrez de Cia. Human Trash (Vilallonga del Camp, Tarragona) “Polipaleta!” (Cabaret poético)


20.30h. Teatro del Mar
Acto de entrega de los Premios EDITA 2010


23.00h. Bar Reflejos
La Noche del Cangrejo Pistolero (Sevilla)
1º Parte
Inés Ramos (Lisboa, Portugal)
Bufete Libre: Elisa Llorca + Niño Atún (Sevilla) “Tormentas de Verano” (microconcierto)
Txus García y Laura Guitierrez (Vilallonga del Camp, Tarragona)“Lectura de poemas queer”
Manuel Almeida e Sousa (Luz de Tavira, Portugal) “Performance”
Esther Lapeña, Nuria Rovira y Lara Osorio (Madrid) “El Deseo”
Pepe Murciego (Madrid) Salud! (performance)
Tiago Gomes (Lisboa, Portugal)
Ferran Fernández (Girona/Málaga) “Bolero Mix”
Bruno Vilao y Manuel Almeida e Sousa (Cascais, Portugal) “Poéticas del surrealismo portugués” (performance)


01.00h. Bar Reflejos
2ª Parte
Sara Toro (Córdoba) “Souvenir”
Joan Casellas (Barcelona) “Cientounañovista” (performance)
Antonio G. Villarán
Javier Gato
Reverendos Asensio y Berger
Edi Tachera
El Cangrejo Pistolero


SÁBADO, 1 DE MAIO


10:00h. Teatro del Mar
Mesa 7
Iván Avila Navarro y Luis Alemañ de Club 100 (Elche, Alicante) “Autogestión y cultura fanzine”
Elena Medel de El Olivo Azul (Córdoba) “De dónde venimos: ¿por qué editar clásicos hoy?”
Alejandra Vanessa de La Bella Varsovia (Córdoba) “La Bella varsovia: poesía al punto”
Joan Casellas de Archivo Aire (Barcelona) “Usos y costumbres del arte a 101 años vista”
Francisco Peralto, Dante Medina y José Bru de Corona del Sur (Málaga) “Ojos que sí ven. Antología de poesía experimental española y mexicana”


Mercedes Luna (Saltillo, Coahuila, México) “Poemas móviles” (performance)


12:00h. Teatro del Mar
Mesa 8
Bruno Vilao de Mandrágora (Cascais, Portugal) “30 años de un proyecto cultural”
Elena Santibáñez y Raymundo Cebada de Rhytm & Books Editorial (México D.F.) “La letra con ritmo entra”
Ferran Fernández de Luces de Gálibo (Girona/Málaga) “Presentación Colección de Poesía Luces de Gálibo”
Hilario Alvarez de Oficina de Ideas Libres (Madrid) “Acción!MAD. Encuentros Internacionales de Arte de Acción de Madrid”
Angeles Alonso y Rafael Delgado de Baile del Sol (Tenerife, Canarias) “Presentación de la novela Arde Flipovic”


17:00h. Teatro del Mar
Mesa 9
Jesús Ge, Mar Benegas y Román Porras de Asociación Poética Caudal (Valencia) “Presentación de los Cuadernos Caudales de Poesía”
+ Miguel Fernández de Fundación Inquietudes (Valencia) “Instrucciones para abrir una caja fuerte”
Koke Vega de Labolsa (Don Alvaro, Badajoz) “Influxus y Labolsa”
Angel Sanz de El Costurero de Aracne (Monachil, Granada) “Aracne precisa colaboradores”
José Jesús Langarica de Revista Galeno (Zapopan, Jalisco, México) “Divulgación Científica en Guadalajara”
Graça Capinha de Oficina de Poesía (Coimbra, Portugal) “Presentación Oficina de Poesía”
Marari Fierro de Endora Ediciones (México D.F.)”Presentación de Endora Ediciones”


Javier Seco de Luz y Cia (Granada) “Palabras que unen palabras que separan” (Acción urbana)


19:00h. Teatro del Mar
Mesa 10
Emma Ruíz del Río y Edith Reyes Jiménez de la Facultad de Estudios Superiores Cuautitlán UNAM (San Sebastián Xhala, Cuautitlán Izcalli, Esatdo de México) “El proceso editorial en la FESC, UNAM”
Jorge Fragoso de Palimage Editorial (Coimbra, Portugal) “Palimage”
Joana Bravo de En3Palabras (Barcelona) “Poesía Urbana”
Iván Vergara de PLACA: Plataforma Artistas Chilango Andaluz (Sevilla / México D.F.) “Cercanía interregional a través de la poesía y las artes”
Dunya el Sahoud Pérez de Pura Vida Ediciones (Granada) “La edición cultural en Granada”
Jerónimo Valdés de El Cerdo de Babel Ediciones (Saltillo, Coahuila, México) “ Presentación de libro Los Marranos y de la Revista Cáscara”


23.00h. Bar Reflejos
La Noche de El Dorado (Valencia)
1ª Parte
Francis Vaz (Huelva)
Eladio Orta (Ayamonte, Huelva)
Antonio Gómez (Mérida, Badajoz) “Dos en uno”
Joana Bravo (Barcelona)
Catalina Rivera (Mérida, Badajoz) “Desatame” (performance)
Graça Capinha , Rita Grácio y Cristina Néry (Coimbra, Portugal)
Koke Vega (Don Alvaro, Badajoz) “A-Muletas”
Antonio Orihuela (Moguer,. Huelva)
Hilario Alvarez (Madrid) “El arte pregunta” (performance)


01.00h.Bar Reflejos
2ª Parte
Alicia Martínez (Valencia) “Acción poética-lúbrica”
Video-Poemas
Eddie J. Bermúdez, Román Porras, Javi de la Torre, Martaerre Sobrecueva (Valencia)
Sefa Bernet , Leda Escudero y Alicia Martínez (Valencia) Performence
Jorge Brunete, Mar Benegas, Marta Gálvez y Jesús Ge (Valencia)


EXPOSICIONES Teatro del Mar
“Los heterónimos de Pessoa” de Eddie J. Bermúdez (Valencia)
“Murales de Arte Colaborativo” de El Dorado (Valencia)
“Arlequines” de Francisco Muciño (México D.F.)
“La manos que todavía trabajuan” de Omar Macías (Monterrey, Nuevo León, México)
EDITORES PARTICIPANTES


ANDALUCÍA
ARBOL DE POE Málaga
AULLIDO LIBRES Punta Umbría, Huelva
BUFETE LIBRE Sevilla
CACÚA EDITORIAL Huelva
CANGREJO PISTOLERO EDICIONES Sevilla
CORONA DEL SUR Málaga
CRECIDA Almonte, Huelva
EL COSTURERO DE ARACNE Monachil, Granada
EL OLIVO AZAUL Córdoba
ENTRETELAS Granada
GUSI CREACIONES Sevilla
ISLAVARIA EDITORIAL Huelva
JEDER EDITORIAL Sevilla
LA BELLA VARSOVIA Córdoba
LUZ Y CIA Granada
PALABRA IBÉRICA Punta Umbria, Huelva
POESÍA EN LA DISTANCIA Huelva
PURA VIDA EDICIONES Granada
REVISTA VOLANDAS Punta Umbría, Huelva
VOCES DEL EXTREMO Moguer, Huelva


CANARIAS
BAILE DEL SOL EDITORIAL Santa Cruz de Tenerife


CASTILLA – LA MANCHA
LALATA Albacete


CATALUÑA
ARCHIVO AIRE Barcelona
CALISDOSCOPIO.NET Barcelona
CIA HUMAN TRASH Vilallonga del Camp, Tarragona
EN3PALABRAS Barcelona
LUCES DE GÁLIBO Girona/Málaga
MERZ MAIL Barcelona
MONFLORIT EDICIONS Cerdanyola del Vallés, Barcelona


EXTREMADURA
ARISTAS MARTÍNEZ Badajoz
DADÁ EDICIONES Mérida (Badajoz)
LABOLSA Don Alvaro (Badajoz)
PÍNTALO DE VERDE Mérida (Badajoz)


MADRID
DIÓGENES ONTERNACIONAL Madrid
EXPERIMENTA Madrid
LA MÁS BELLA Madrid
LA VELOZ EDICIONES Torremocha del Jarama
OFICINA DE IDEAS LIBRES Madrid
TRECE TRENES Madrid


PAÍS VASCO
A FORTIORI EDITORIAL Bilbao. Bizkaya
LA GALLETA DEL NORTE Barakaldo, Bizkaya


VALENCIA
ASOCIACIÓN POÉTICA CAUDAL Valencia
CLUB 100 Elche, Alicante
EL DORADO Valencia
FUNDACIÓN INQUIETUDES Valencia
LA EXACTA PALABRA Valencia
LA TRINCHERA POÉTICA Valencia
MAE Elche, Alicante


BRASIL
ARTELETRA Sao Paolo


MÉXICO
ATEMPORIA EDITORIAL Saltillo, Coahuila
EL AGUAJE Guadalajara, Jalisco
EL CERDO DE BABEL EDICIONES Saltillo, Coahuila
ELEMENTO CERO Saltillo, Cohauila
ENDORA EDICIONES México D.F.
FACULTAD DE CUATITLAN / UNAM San Sebastián Xhala, Estado de México
LA MUSA FEA Zapopan, Jalisco
PLACA México D.F /Sevilla.
REVISTA GALENO Zapopan, Jalisco
RHYTHM & BOOKS EDITORIAL México D.F.
TALLER DE LA CABALLERIZA Saltillo, Coahuila
UNIVERSIDAD AUTONOMA DEL ESTADO DE HIDALGO, Pachuca, Hidalgo


PORTUGAL
ASSOCIAÇAO POESÍA VIVA Lisboa
CONFRARI ALFARROBA Luz de Tavira
COSMORAMA EDIÇOES Oporto
MANDRÁGORA Cascais
OFICINA DE POESÍA Coimbra
PALIMAGE EDITORIAL Coimbra
4ÁGUAS EDITORA Olhao
REVISTA BIBLIA Lisboa

Sobre trajectórias fixas de objectos

As pessoas chamam-nos.
As pedras chamam-nos
quando nos batem

e o que dói mais é a pedra a chamar-nos porque

as pessoas só doem
quando não nos chamam mais.

Adriano Narciso

Um poema de Juan Bonilla























Quanto sei de mim

O meu bi: 31650987C.
O pin do meu telefone móvel é 9276.
O do meu visa número 4940005043313975 é 7692.
O do meu mastercard número 0030443298919438 é 9276.
A password do meu e-mail juanbonillagago@yahoo.es é cruyff1974.
A chave da minha conta no ebay, utilizador varanasi2003, é toureiffel1918.
Para entrar na minha conta do BBVA
marque em bbva.es o número do meu VISA
e escreva cruyff1974 quando lhe pedirem a senha.
A da minha conta no iberlibro é kyntaniya23.
O mesmo para o paypal.
O mesmo para o uniliber.
O número do porteiro automático da minha casa,
em Menéndez Pelayo 29, Sevilha, é 6691.
O número de identificação da minha conta e-barclays é 50987,
O número de utilizador é o mesmo do meu cartão mastercard.
Na RENFE, IBERIA, VUELING, BRITISH AIRLINES,
sou bonilla66, e a minha chave de acesso: cuidadoconelperro.

Creio que nunca antes um poeta
havia colocado tanta intimidade
ao alcance dos seus leitores.

Juan Bonilla
in Cháchara
Tradução de Tiago Nené