O degrau

A pele entra em ebulição, os olhos gelam, o corpo é um completo paradoxo.

- Sento-me numa escada e vejo outros subirem, descerem. Os objectivos de vida sobem e descem com eles. Eu, estático, fico-me naquele mesmo degrau. Os objectivos desistiram de mim e desceram. Saíram porta fora e comprimiram-se no vento gelado da rua.

Adriano Narciso

6 comentários:

Thiago Gonzaga disse...

Profundo. Belo texto. sento-me tbm, estático no mesmo degrau.
Um abraço!

Marii' disse...

Todos os que descem e sobem levam sonhos consigo e tu?! ficas sem intenções nem objectivos a tentar perceber a lógica dos outros?
Preferia estar nos que sobem e descem..

Adrielly Soares disse...

Eu sei o que é ficar sentada num desses degrais, e não é nada bom.
:/

Gostei do texto.
Um beijo.

A. disse...

às vezes temos momentos em que isso acontece. Para percebermos os nossos sonhos olhamos para os dos outros.

rauau disse...

O ponto focal da observação, intermediação da metáfora forte da vida, deixa a possibilidade. Não é isso que somos??????

mariab disse...

flashes da vida. quantas vezes nos sentimos assim...
beijos