SEM COMENTÁRIOS

O poema chega, faminto, urgente,
e apanha-me sem palavras,
vazio de palavras. Encaro-o
pouco à vontade, envergonhado,
e as únicas palavras que consigo
dizer são, Desculpa, Lamento,
Espera só dois minutos,
mas já o poema torce o nariz,
cospe no chão, solta dois sonoros
PORRA, PORRA, volta-me
as costas e vai-se embora,
deixando-me de mãos a abanar.

6 comentários:

Anónimo disse...

quem escreveu isto?

Anónimo disse...

eu

Anónimo disse...

Eu acho que foi outra pessoa!

Anónimo disse...

não, fui eu mesmo.

Anónimo disse...

eu é que fui! não me tirem o mérito.

fronteiras disse...

quem é o eu? Chega de tentar dizer que não diz. diz... não diz! Sem comentários... e solta o que está dentro de ti, rasga-te e sorve-te para lada da possibilidade.
Fronteiras