21.30 - Trama

Mais logo, 21.30, vou estar na livraria Trama para apresentar o livro Antologia Drink River, do poeta espanhol Francis Vaz. Uma boa oportunidade para rever amigos.

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Rectificação - continuação da novela em micronarrativas "a vida e obra de F."

















[baseado numa história verídica
]

Menti um pouco. O que realmente frustrou F., levando-o a sair da sala, foi a nossa diferença de ambição e de objectivos na literatura. Ele não suportou o facto de eu buscar na escrita uma felicidade momentânea e, mais ainda, de o assumir. Nos dias seguintes os grandes elogios de F. em relação à minha poesia tinham o claro e firme propósito de me erguer enquanto seu rival.

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John Updike, um poema de Tiago Nené

















[um amigo que sempre me impingiu alguns versos de John Updike pediu-me que escrevesse algo em sua memória. Espero que gostes, Pedro.]

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Morreu sem um critério rigoroso.

Não se poderá dizer que tenha sido a lei da vida

ou a lei da morte

ou uma derradeira e infinita

composição da urgência.

Hoje morreu-lhe o corpo, morreu porque assim

disseram os médicos, porque assim

disse o seu pulso frágil como o equilíbrio

da terra, e porque agora é o tempo que o respira.

Hoje morreu-lhe o corpo, repito em voz alta.

E isso é tudo o que,

da perspectiva da nossa memória incompleta,

precisamos de saber.

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Tiago Nené
inédito

Polaroid




















F. saiu da sala parcialmente morto.

Nada o frustrou mais do que o facto de eu não ter aceite os seus elogios.

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Perspectivas no meu quarto azul













Um bom poeta tem direito a escrever alguns poemas maus.

Um mau poeta devia ter vergonha.


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A Casa do Esquecimento, de Fernando Dinis























Já está à venda o livro do nosso amigo e colega do Texto-al Fernando Dinis. O romance A Casa do Esquecimento foi o vencedor do Prémio Fnac/Teorema.

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O Sol, um poema de Tiago Nené



















O SOL

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À Inês Ramos, em jeito de agradecimento

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Sinto como imagino que o sol se sente,

o sol buscando os seus atalhos

no interior das horas naturais, nos equilíbrios sem eixo,

sobre as sequências de imagens, errando nas biografias

sem molduras, sobre as silhuetas dos carros,

sem a fadiga de um pequeno abraço ou a mudez

premeditada de um delírio convalescente,

o sol explorando o infinito da superfície vagarosa,

contornando a água de uma lágrima, impalpável

e deslumbrante, silenciosamente no caminho dos versos.

O sol que na aurora apunhala a noite,

O sol que não permite que os céus se colem,

O sol que movimenta as transparências dos homens e mulheres,

O sol que apaga a nitidez dos detalhes inúteis,

O sol que dá corda aos pássaros e aos ruídos,

O sol poético, o sol insone, o sol-ignição de todas as cores,

O sol eterno, o sol-víbora, o sol que te estranha,

O sol que te ama,

O sol, o sol, o sol...

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Tiago Nené

in Instalação

(a sair em 2009)