Ausência, poema para ler devagar


















Os gatos dormem,
etéreos como borboletas em almofadas;
ervas que nascem no céu e
pendem,
tocam-nos na testa como chuva
de fogo
que arde
quando arrefece na pele
da consciência

Quando morrem pessoas
as ervas crepusculares nascem
da sua memória,
descem até nós,
roubam-nos água dos olhos e

A pessoa torna-se telúrica -
e todos os rios, todo o chão,
são ela
e são dela
todos os risos e choros e olhos
porque,
quando nos morre uma pessoa
ela desce e cai em nós

Adriano Narciso

6 comentários:

Larissa disse...

caiu bem, logo acima do abacaxi.
gatos e borboletas sempre me tocaram mais do que cachorros e pombas brancas.
Muito bonito, Adriana.

Pedro Rodrigues disse...

Absolutamente fantástico

Abraço

Teresa Queiroz disse...

tocante , faz pensar é esse o encanto deste poema

Úrsula Avner disse...

caro Adriano, poema num lirismo profundo que nos impele a reler cada verso após a primeira leitura e meditar sobre a profundidade inerente a cada palava. Muito bonito ! Um abraço.

Isa Mestre disse...

Uma vez mais fantástico. Abraço

Adriano Narciso disse...

Muito obrigado pelos comentários ;)

Adriano Narciso