Um poema de Sylvia Beirute - Sophia Loren, Beleza de Ferro




















SOPHIA LOREN, BELEZA DE FERRO

afinal isto é um clássico / eu sou a sophia loren
de vestido branco, alta mas ténue ao espaço.
hoje, sinto-me rude face ao tempo,
o tempo é uma casa de horas
que, com os inquilinos no interior, ainda se constrói.

- e faz barulho / muito barulho,
há pedreiros e carpinteiros dentro da minha beleza de ferro,
pessoas suando - ninguém poderia imaginar.
{e o tempo rápido é o único que homenageia}.

ocorre-me que se não acreditar no meu passado,
o meu futuro não acreditará neste momento.

e decido deixar todos os filmes paralelos à vida,
africa sotto i mari, la ciociara, etc etc.
retiro camadas de infinito do corpo,
o ferro funde-se, e sou humana de novo.

Sylvia Beirute
inédito

2 comentários:

Cátia Vieira disse...

magnifico!

Fernando J. Pimenta disse...

Muito me aprouve. As rimas presentes no interior dos versos encantam a leitura.