Um poema de Sylvia Beirute - Desejo Infinitesimal

















DESEJO INFINITESIMAL

{que horas eram quando o tempo acabou?}
      {que horas eram quando deixaste de
poder reproduzir clandestinamente a explicação
            da conclusão do desejo infinitesimal?}
{que horas eram quando a razão de espírito
  substituiu a de ciência na ocupação do abraço?}
{que horas eram quando te adiantaste à felicidade
                    no dia que dilui
         na percepção multiforme da multidão?} 
{que horas eram quando a boca simulou
              o silêncio com princípios aleatórios?}
{que horas eram quando deixaste que a alma
         somasse corpos e subtraísse outros?}
{que horas eram quando viver era deixar morrer
         e a solidão incomunicável?}
{que horas eram quando o tempo acabou?
                          que horas eram?}

inédito

4 comentários:

Isa Mestre disse...

Lindo, Lindo.

isabel mendes ferreira disse...

sempre de um rigor e beleza...sempre. a diferença.

EDUARDO POISL disse...

Lindíssimo!!!!!

"... E de novo acredito que nada do que é
importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,
dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei,
todos os amigos que se afastaram,
todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada,
apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares

Abraços com todo meu carinho.
Uma linda semana com muito amor e carinho.

isabel victor disse...

uma cadência ___________


derramante
musical



vibrante
viva !





Única



Parabéns, SB !



abraço






iv