Lançamento do livro "Voz Perdida", por Isa Mestre


Isa Mestre, membro do Texto-Al acaba de lançar, com a chancela do Sítio do Livro, o livro Voz Perdida. A obra trata-se de um conjunto de micro-narrativas romanceadas, um cruzamento de várias personagens e histórias que trocam entre si emoções, sentimentos, medos e sonhos...
O livro encontra-se disponível em http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/voz-perdida/9789899663206/ ou, para os mais leigos na matéria, podem encomendá-lo junto da autora através do email isa_mestre@hotmail.com .
Fica assim o convite para conhecer mais um obra literária de um membro Texto-Al.

Veja a sinopse e biografia da autora em : http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/voz-perdida/9789899663206/#maisDetalhe

Fragmentos (Graciela Perosio)

















Fragmentos

lascas
algum canto redondo,
ressaca.
Já quase sem recordações,
perguntas, perguntas, perguntas.
Sou fragmentos
e nem sequer
todos eles
são meus.

Aqui estou como em nada.
Dentro da espera.
Quando estalará a folha
mais verde da tarde?
Quando penetrarei
no sábio sonho do cão
sobre o mármore?

Dizem que é o verão,
que o calor assassina as ideias.
Dizem que passará
depois da dor
e da calma.

Eu sei que tremo,
e é a espera.

eu que esperei
hoje já não posso.
perdeu-se-me
o tempo
num cotovelo
onde encontrei
a foto
daquele menino
morto.

em Brechas del Muro
(tradução de Tiago Nené)

Amor é ficção que nos toca

Não me sinto bem em lado algum
tenho na pele o toque
e o beijo
de quem não está aqui agora.

Pronto,
não sou nem quero ser feliz
não tenho rosas na mão
nem a consciência de petiz.
Não sou, nem quero, ser feliz
não sou e quero
ser menino,
quero ser hino
ter em mim a clara visão do mundo, ser
em todo o lado alguma coisa,
ouvir o meu nome na boca de alguém
(a língua a fazer uma ginástica familiar)

Gostava de ser alguém
alguém para alguém,
Ser ao menos um cão para um cego,
Ser a planta que rego sempre
convicto de que o amor se estende conforme a água.

Queria ser uma pessoa no teu mundo particular,
Pessoa arcaica, pessoa que é importância por ser pessoa.
Nada a não ser a presença, só pessoa,
Ser.

Não me sinto bem em nenhum lado
Não me sinto um lírio num prado. E tanta água. Sol. Pétalas de lírios
a tocarem-me.

Nem comigo,
só em mim que seja, me sinto gente
e tudo o que toco é uma morte iminente
tudo o que sonho é gente que conheço,
gente que me move;
acordo e quero voltar a sonhar,
pesadelo que seja:
para mim isso bastava: uma cama, uma almofada
e sonhos, contos de fadas. Suores frios.

Longa se torna a espera - Projectos e Agenda














De parto difícil, parece que Polishop (ed. Punta Umbría, Colecção Palavra Ibérica, ed. bilingue com tradução de Santiago Aguaded Landero e prefácio de José Carlos Barros), o meu novíssimo livro de poesia, sairá no próximo mês. Ao mesmo tempo, e na mesma colecção, sairá a obra vencedora do Prémio Internacional Palavra Ibérica, Decantação, da mexicana Aida Monteón, com tradução minha. Por falar em traduções, ultimei mais dois livros, de Rafael Delgado e Carmen Camacho, para saírem brevemente, assim como uma antologia poética de Porto Rico, a sair mais tarde. No final do mês, partirei para as Correntes D'Escritas com a difícil missão de representar o Algarve, e no início de Abril (dias 5, 6 e 7) darei um Breve Curso de Escrita Criativa na Biblioteca Ramos Rosa, aberto ao público mediante inscrição (inscrições limitadas a 15 participantes). 

Voltando ao meu livro, estão previstas apresentações em Espanha (Punta Umbría, no EDITA), Faro (Pátio de Letras - a confirmar) e Lisboa (Trama - a confirmar). Entretanto, talvez o Texto-al apresente alguma surpresas.

Tiago Nené