o autor e a sua criatura

Talvez seja exagerado afirmar que todo o conto breve plenamente conseguido, e em especial os contos fantásticos, sejam produtos neuróticos, pesadelos ou alucinações neutralizadas mediante a objectivação e o transporte para um meio exterior ao terreno neurótico; de todas as maneiras, em qualquer conto breve inesquecível essa polarização é perceptível, como se o autor tivesse querido desprender-se o mais rapidamente possível e do modo mais absoluto da sua criatura, exorcizando-a da única forma que lhe era possível: escrevendo-a.


Julio Cortazar (excerto retirado e traduzido daqui)