Um poema de Tiago Nené - Éramos tão novos













ÉRAMOS TÃO NOVOS


[a uma pessoa perfeita]

éramos tão novos,
explodíamos por tudo e por nada,
lembrávamo-nos de existir
em cada pequena coisa,
atendíamos telefones públicos,
incendiávamos o silêncio com um grito,
adorávamos que nos invejassem,
bebíamos veneno para dormir.

a memória era costeira e mecânica,
havia búzios em nós, o som perfeito, esculpido
de uma cidade esvaída
da tímida perspectiva do mar.

e só o não saber nos marcava as horas, cada minuto
desprendia os corpos mútuos,
o repetido fim interrompido ia bebendo o resto do tempo.

Tiago Nené
in
Medidas para o Fim da Crise

(a publicar em 2056)

13 comentários:

Papagaio Mudo disse...

Um belo poema Tiago.
a crise não tem fim...
já deu tudo errado.
Abs,

Gustavo

António Cortesão disse...

É pena que o meu último comentário não tenha sido publicado. Mas vou contar-vos uma experiência que fiz há duas semanas:

Comentei negativamente um poema de Tiago Nené aqui no blogue esse comentário demorou umas oito horas a ser colocado pelo autor do blogue e apenas o foi quando já havia outro poema mais recente do autor no mesmo blogue. Curiosamente logo a seguir ao comentário negativo, fiz um comentário positivo com nome diferente e, só para terem uma ideia, demorou menos de 5 minutos a ser colocado

Tirem as vossas próprias conclusões e, principalmente, pensem o que teria escrito eu naquele meu comentário de que falei no início para o autor não o querer colocar.

Artur Cortesão.

Anita Mendes disse...

"incendiávamos o silêncio com um grito,
adorávamos que nos invejassem,
bebíamos veneno para dormir."

que lindo poema mas ...
triste saber que já estamos velhos, triste saber que
nossos sonhos envelheceram.
beijos pra ti, Anita.

Abssinto disse...

Óptimo poema.

Adriana Godoy disse...

Um dia também fui nova e acreditava. Bonito poema. Emociona. Beijo.

Renata de Aragão Lopes disse...

"só o não saber nos marcava as horas"

Muito bonito!

Texto-Al disse...

Caro Cortesão,

Todos os comentários são aceites, a não ser que faltem ao respeito a alguém que não seja eu, o que aconteceu num dos seus comentários.

Tente centrar todos os seus comentários apenas nos pontos fracos que a minha poesia alegadamente tem.

Admiro a sua dedicação.


abraço
Tiago

625 forte disse...

Oh Nené, permites que te trate assim? Obrigado pelo teu silêncio. Não te opões? Obrigado. Então digo-te isso de beber veneno para adormecer deixa-me triste e devias pensar duas vezes antes de escreveres essas coisas. Acho que podias ter maior consideração por quem sabe efectivamente o que é beber veneno. Se pensas que adormeces pois faço-te uma breve descrição.
1º minuto é como um shot de absinto queima e esperas que passe, mas nao passa. Continuas a sentir o esófago a queimar até te sentires dores insuportáveis.
Nos 10 minutos seguintes não páras de vomitar, até que chegas ao ponto em que sai sangue, depois é veres quanto tempo aguentas até desmaiares. Não adormeces. Era só para te avisar. Pronto.

Texto-Al disse...

meu caro 625 forte,

obrigado pelo "aviso".
o verso em questão procurava representar
uma vivência destemida.

se feri pessoas mais sensíveis peço desculpa.

da próxima vez pense duas vezes antes de ler algo meu.

T.

625 algo menos corrosivo disse...

Uma vivência destemida? Então escrevias vivência destemida e pronto. Não te punhas a inventar essas coisas e a falar do que não sabes. Ah e na foto de cima, estás um bocado feio.

Texto-Al disse...

se sou feio, como poderia parecer bonito na foto, meu caro?

Um abraço,

Tiago

625, 24, 23, 22, 20, enganei-me, 21, 20, 19... disse...

Então se és feio tinhas vergonha e pronto. Tudo ficava bem.

Texto-Al disse...

creio que td está bem.

o senhor é que é mt sensível;)

é irresistível vir aqui, n é?

Um abraço

Tiago