A Palavra «Gongo» - um poema de Tiago Nené














A PALAVRA «GONGO»

[aos meus amigos, até àqueles que não sabem voar]

a palavra «gongo» não faz bem
a este poema, nem a palavra «carvão» ou «permanecer» ou «noite». é que o que voa não precisa de uma base, e afinal este poema não precisa de quaisquer palavras.

Tiago Nené
inédito

Fotografia de Nuno Miheiro

13 comentários:

Ana disse...

"é que o que voa não precisa de uma base".

gostei muito disto. fez-me rever toda a minha vida.
o que interessa é seguir em frente, não é?

Texto-Al disse...

cara ana,

escrevi esse verso quando estava a justificar a mim mesmo um outro poema que escrevia (ainda incompleto).

era algo sobre uma dança que continua depois de a música terminar, como se dela não dependesse.

tudo é uma metáfora, não lhe parece? até a realidade é ao mesmo tempo metafórica. Os olhos nunca conseguem ser justos.

esqueçamos a base. voemos até ao fim.

obrigado pelo gentil comentário.

Tiago

On The Rocks disse...

curto e certeiro.

abs

Teresa Queiroz disse...

não precisa de nada... de facto...

Anita Mendes disse...

"é que o que voa não precisa de uma base"
certos poemas falam por si mesmo.
Lindo!
beijos pra ti, Anita Mendes

Inês Leitão disse...

escreves bem e és grande.

Adriana disse...

a palavra não precisa de palavra, o não dito é mais interessante.

V.M.Paes disse...

Genial, simplesmente.

Anónimo disse...

Gongo ou Congo? :D
Na verdade, tudo o que voa precisa de uma base, seja como for que se entenda a palavra. :DD

galide

Nydia Bonetti disse...

No que não foi expresso, no espaço em branco, a mais completa perfeição... Palavras pra que? ;)
Adorei.
Uma abraço.

BAR DO BARDO disse...

Viva, pois, a palavra silêncio!

Pedro Rodrigues disse...

Toda uma história num nada que é tudo. Gostei.

Maria Francisca disse...

'era algo sobre uma dança que continua depois de a música terminar, como se dela não dependesse.'
E na realidade não depende, nunca dependeu.
Como Yann Gibert (Professor de Dança Contemporânea francês, também meu professor a uma dada altura.) diz: 'Para mim a dança não tem definição.'.
Para mim, não é só a dança que não tem definição, a vida toda não tem definição.
Adorei o seu poema, adorei mesmo. Consigo tanto ligar-me com ele.
O facto de nada precisar de explicação, de palavras, de bases e alicerces.
Sei que sei voar, e sabe bem.
Parece que sabe voar, sabe? :)
Beijinhos*