Infra-realismo - um poema de Sylvia Beirute












INFRA-REALISMO

vou ao café somente para recordar o amor},[neste momento despossuo
vanguardas ou retaguardas]
um amor infra-realista, sem ortografia, um
amor até à última das consequências,
um amor que desconhece
que o que importa de facto
não é a última das consequências
mas a última das causas}
com as escoriações dos seus ecos
ainda na voz } os nervos das mãos
museificados sobre a boca inaugurada
de um cadáver estreante, peço trémula, de-
vagar e docemente:
uma água e um café, um café muito curto.

Sylvia Beirute
inédito

1 comentário:

POETA E/OU LOUCO disse...

Evohé!

Adorei o espaço, entre anfitriões e frequentadores. Como faço para participar?

Abreijos textuais
Aleph Davis