Spaciba - um poema da poetisa algarvia Sylvia Beirute














SPACIBA

plantar de novo } o que ainda cresce,
nada divido } que tenha fome.
o que tem fome é auto-curativo,
o que é auto-curativo } cresce.
o que cresce é a divisão do tempo
pelo espaço } crescer em espaço
é uma boa ideia } crescer em tempo
é morrer }. plantar de novo
o que ainda cresce } é preferir um início
a um outro, hipotético, ameno, pouco
ameno, violento, auspicioso, de fidúcia }.
alguém me pisa as estrelas temporárias }
e nas algibeiras os dedos
parecem um veleiro sem segurança }.
planto-me de novo e a esta poesia
que urra sem olhos }. nada divido } não divido
a primavera como um todo
por onze jardins imaginários }.
vivo, afinal de contas vivo }. e uma navalha
corta fatias de sono e envia para as estrelas }.
o todo-sono assemelha-se a uma barra
de sésamo e mel rica em fibras,
cada bocado cortado corresponde a um sonho,
e as estrelas são os seus dormitórios póstumos.
depois morro por ser poético e adormece o dia }
e spaciba, spaciba, alguém diz,
sem noção de que {para continuar a crescer
sempre é preciso plantar-se de novo.}

Sylvia Beirute
inédito


fotografia de Miguel Apolinário

5 comentários:

Úrsula Avner disse...

Oi Sylvia, texto em linguagem poética bela e profunda, com apurado lirismo e imagens oníricas, transcendentais. Gostei muito ! Um abraço.

Texto-Al disse...

atenção texto-ais: dia 2 de Outubro temos "aquilo".
falta confirmar a Isa e o Narciso.

abraço
T.

Adriano Narciso disse...

Confirmado!

isabel mendes ferreira disse...

simplesmente____________gostei e __________muito!



obrigada!

Vieira Calado disse...

Não conhecia a poetisa.

Dizem que o Algarve é terra de poetas.

Eis mais uma prova!

Cumprimentos meus