menarca



entre as ancas de um livro,
cem mãos sem dedos escrevem a vermelho mênstruo
a venérea ausência de cristo.
a ferida exacta.
o acto de rasgar,
tão perfeitamente desesperado,
é o sustento de um guião vascular para os lúcidos.
a criação suicida.


há quem não entenda as vocações terminais.
as ruínas fundadoras de homens.
a beleza incompleta,
em procissão de vinho pelas pernas,
invade-me a boca como forma de (a)deus.


só então me venho,
ali,
no cúmulo dos tecidos transactos
e estradas tolhidas,
celebrando a ilegal distribuição de vivos
por talvegues maternos atados ao parto
(para nem sempre respirar).


há quem não entenda as vocações terminais.
como infectar de amor a cadência líquida
da tua ascensão a árvore.


(imagem: pintura de Hieronymus Bosch)

4 comentários:

* hemisfério norte disse...

genial
-
recuei até natália correia
---
bjs
ana

Adriana Karnal disse...

"a ascenção a árvore"...difícil o poema...gostei.

Texto-Al disse...

sempre uma publicação bem-vinda, Duarte:)

T.

cristiane machado disse...

Vc é sensível e realmente poética naquilo que faz.
bjs.