Soldado

Creio na incredulidade com que me olhas.
Acredito ainda que não sabes o fim,
Que não o adivinhas por detrás dos olhos baços e do sorriso que em tempos acreditaste ser tudo o que existia.

Esperas a palavra,
O momento,
Esperas a crueldade de um conjunto de actos que te permita ser quem realmente és,
Que te permita soltar todos os verbos amarrados por esperas inúteis e sonhos ancorados.

Fazes uma pausa.
Deixas-me respirar.
Esperas o recomeço de um final há muito adiado.

O pano abre-se,
A cena recomeça.
Novamente actor principal,
Perco-me das palavras,
Desisto dos sonhos,
Alisto-me no exército da coragem e sorrindo digo-te,
- Algum dia chegaria o fim.

Abraças-me e há naquele abraço o alívio de vinte anos sem saber sorrir.

Isa Mestre

4 comentários:

Pedro Rodrigues disse...

Simplesmente magnífico. Bj*

continuando assim... disse...

bonito ...simples e bonito

bj
teresa

Mikas disse...

A poesia acalma-me, é sempre um prazer ficar por aqui um pouco.

Vieira Calado disse...

Quem sabe escrever...

escreve assim!


Beijinhos