Oceano-Útero (um poema de Aida Monteón)




















OCEANO-ÚTERO

Esse grande peixe absorvido em lágrimas.
Mar vermelho.
Mar de fluxos incorrigíveis. Saga
de memórias amnésicas.
Boca de tempo.
O meu afecto de criatura marinha me verte peixe. Falo
do regresso, do retorno ao paraíso líquido,
e também do sal
preso à minha substância desde a primeira vez
que saí da água.

in Decantación / Decantação
(bilingue, 2010, Punta Umbría, pré-publicação)
Prémio Internacional Palavra Ibérica
Tradução portuguesa de Tiago Nené

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