A história da Comissão de Apoio à Edição
A Comissão
A Mulher: Mas há uma boa notícia...
Eu: Sim? Qual?
Ela: Foi criada uma comissão de apoio à edição, que até já reuniu uma vez.
Eu: Então há dinheiro para a edição...
Ela: (Silêncio) (Sinais de negação no rosto)
Eu: E a Câmara tem dinheiro para a edição?
Ela: Não.
Eu: Então para que foi criada a Comissão?
Ela: (Com um sorriso genuíno) Para apoiar a edição.
Eu: Que deliberou a Comissão da primeira e única vez que reuniu?
Ela: A Comissão teve dificuldade em chegar a uma conclusão, senhor.
Eu: Pois pudera.
Ela: A Câmara está numa situação difícil. (sinais de resignação)
[tn]
Duplicado, por Isa Mestre
Estamos todos tão sós. E fingimos que nos importamos, e fingimos que nos amamos, e fingimos , e fingimos, e fingimos. Fechados em esferas de solidão e egoísmo, papagaios falantes que só se ouvem a si próprios.
Papagaios falantes. Os outros apenas espelhos de que precisamos para nos revermos, para nos conhecermos, para nos amarmos.
E acreditamos na amizade, na ilusão de que não estaremos sós quando tudo acabar. Acreditamos que haverá uma voz, uma voz que não chega nunca. Uma voz que tem sempre mais que fazer. Uma voz que te diz,
- gosto de ti,
Quando desconhece que só pode gostar de si mesma. Que só sabe gostar de si mesma.
E no dia seguinte a mesma voz dirá que lamenta, que está aqui para tudo. Só a voz. Apenas a voz.
Continuo sozinha. Rodeada de vozes. Máscaras da mais profunda solidão.
Pergunto-te,
- quando vens?
E tu pões novamente o disfarce. A treta de que somos todos muito amigos.
E eu finjo. Sinto-me grata por não estares aqui. Penso que nem me farias falta nenhuma. Basta a voz. A voz. A voz.
O telefonema sentido ao final do dia, as perguntas de sempre, as respostas de ontem que já conhecerás amanhã.
Sentes-te confortável. Preocupas-te comigo, dizes.
Mas não vens, não vens nunca. E se um dia te disser que o amor é uma merda hás-de achar-me ingrata, hás-de jurar que telefonaste todos os dias.
E eu hei-de rir-me. Porque me bastam as vozes.
Gosto tanto de estar só.
Isa Mestre
Papagaios falantes. Os outros apenas espelhos de que precisamos para nos revermos, para nos conhecermos, para nos amarmos.
E acreditamos na amizade, na ilusão de que não estaremos sós quando tudo acabar. Acreditamos que haverá uma voz, uma voz que não chega nunca. Uma voz que tem sempre mais que fazer. Uma voz que te diz,
- gosto de ti,
Quando desconhece que só pode gostar de si mesma. Que só sabe gostar de si mesma.
E no dia seguinte a mesma voz dirá que lamenta, que está aqui para tudo. Só a voz. Apenas a voz.
Continuo sozinha. Rodeada de vozes. Máscaras da mais profunda solidão.
Pergunto-te,
- quando vens?
E tu pões novamente o disfarce. A treta de que somos todos muito amigos.
E eu finjo. Sinto-me grata por não estares aqui. Penso que nem me farias falta nenhuma. Basta a voz. A voz. A voz.
O telefonema sentido ao final do dia, as perguntas de sempre, as respostas de ontem que já conhecerás amanhã.
Sentes-te confortável. Preocupas-te comigo, dizes.
Mas não vens, não vens nunca. E se um dia te disser que o amor é uma merda hás-de achar-me ingrata, hás-de jurar que telefonaste todos os dias.
E eu hei-de rir-me. Porque me bastam as vozes.
Gosto tanto de estar só.
Isa Mestre
Polishop em Olhão
Apresentação, por Maria Luísa Francisco,
do livro de poesia Polishop,
(Punta Umbría, 2010, Palavra Ibérica) de Tiago Nené
Olhão, dia 22 de Julho de 2010, 18h00
Biblioteca Municipal
Perfídia
Incrível como se ama
qualquer animal
recém-nascido.
por isso, ainda
que em vão, amamos
o amor quando nasce, esse
animal que em criança
alimentamos,
e que um dia
nos comerá o coração.
Perfidia
Increíble cómo se ama
cualquier animal
recién nacido.
Por eso, aún
en vano, amamos
el amor cuando nace, ese
animal que de niño
alimentamos
y que un día
nos comerá el corazón.
Tiago Nené,
in Polishop
(palavra ibérica, punta umbría, 2010)
Prefácio de José Carlos Barros
Tradução de Santiago Aguaded Landero
Suspensão, um poema de Isa Mestre
E quando sorris somos dois.
Eu dentro de ti.
Eu novamente a vasculhar-te a alma.
Eu novamente teu, tão teu.
Nos teus olhos.
Na tua boca.
No teu Ser.
E tu não me pedes mais nada.
Ficas por aí.
E às vezes pensas que não és tu.
E às vezes penso que não sou eu.
Depois existimos.
Depois beijamo-nos.
Depois dás-me a certeza de ser teu para sempre.
Ou quase sempre.
Isa Mestre
Eu dentro de ti.
Eu novamente a vasculhar-te a alma.
Eu novamente teu, tão teu.
Nos teus olhos.
Na tua boca.
No teu Ser.
E tu não me pedes mais nada.
Ficas por aí.
E às vezes pensas que não és tu.
E às vezes penso que não sou eu.
Depois existimos.
Depois beijamo-nos.
Depois dás-me a certeza de ser teu para sempre.
Ou quase sempre.
Isa Mestre
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