
{para a Sofia, que tem no nome a essência}
É fácil viver
mas não a tiramos.
Nunca.
(A máscara sai tão bem)
Sem a máscara
somos nós,
e sendo nós não nos conhecemos como
nos conhecem.
Somos corvos brancos
sem máscara.
Pétalas de uma flor em fogo;
Uma cadeira em lágrimas por não ter pernas
Tão fugazes
Tão distantes.
Rosas num canteiro que é todo água.
Sem máscara somos pessoa, génese.
O palco extingue-se
E o pano cai, sem máscara.
Somos nós e ninguém.
Adriano Narciso



